A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) terá um prazo de 60 dias para analisar a documentação obtida durante uma correição extraordinária, realizada no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Essa análise determinará se existem razões suficientes para abrir um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o desembargador.
O prazo da investigação, que pode ser prorrogado por mais 60 dias, começou na tarde desta quinta-feira e se estendeu até logo depois das 17h.
Apesar de especulações sobre uma busca no gabinete de Ramos, fontes da Corregedoria esclareceram que se tratou de uma verificação de indícios de possíveis irregularidades relacionadas ao setor sucroalcooleiro.
De acordo com essas fontes, não há, neste momento, acusações formais contra o desembargador. Ao final do período de análise, caso o corregedor conclua que existem elementos que justifiquem um PAD, a decisão final sobre a instauração desse procedimento caberá ao plenário do CNJ.
O TRF-1, por sua vez, foi informado previamente sobre a correição e relatou que a diligência transcorreu sem incidentes. Em uma nota divulgada após a conclusão do procedimento, Newton Ramos defendeu que estava no “pleno exercício” de sua função e caracterizou o trabalho da Corregedoria como “natural e regular”. Ele expressou confiança na atuação do CNJ e sua disposição para prestar qualquer esclarecimento necessário.
O TRF-1 também emitiu uma nota afirma que a Presidência do tribunal determinou “integral colaboração” com as autoridades competentes. Isso inclui o acesso total a dependências, informações e qualquer elemento institucional solicitado durante a investigação.
O tribunal enfatizou que o procedimento não implica em antecipação de responsabilidade e reforçou a importância de preservar a presunção de inocência, assim como garantir o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Este caso ganhou destaque após a Polícia Federal ter encontrado mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Nessas conversas, o desembargador Newton Ramos é mencionado como parte da denominada “Turma do KN”, uma alusão ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, informações reveladas pelo jornal O GLOBO indicam que o escritório de advocacia ao qual Camilla Ramos, esposa do desembargador, pertence, firmou um contrato com o Banco Master.
Este contrato diz respeito a processos que envolvem interesses do banqueiro, incluindo ações judiciais vinculadas ao setor sucroalcooleiro.
Esses novos desdobramentos em torno do desembargador trazem à tona questionamentos sobre a integridade das relações entre o Judiciário e o setor privado, especialmente em uma área marcada por tantas controvérsias como a da agricultura e produção de etanol.





