Economia

Picanha em alta: carne bovina sobe até 10,9% em 2023

Aumento nos preços dos cortes de carne bovina em 2023

Todas as categorias de carne bovina no Brasil enfrentaram um aumento significativo em seus preços no primeiro semestre de 2023. A picanha, corte predileto dos brasileiros durante o churrasco, registrou uma alta expressiva de 10,66%. Outros cortes populares, como a alcatra, também seguiram essa tendência, com um aumento de 9,48%. O filé-mignon teve um crescimento de 10,2%, conforme os dados da prévia da inflação de junho divulgada pelo IBGE.

Principais aumentos por corte

  • Picanha: 10,66%
  • Alcatra: 9,48%
  • Filé-mignon: 10,2%
  • Peito bovino: 10,9%
  • Acém: 9,33%
  • Patinho: 6,61%
  • Cupim: 5,75%

Fatores impulsionando os preços da carne

O cenário atual de alta de preços pode ser atribuído, em grande parte, à corrida dos frigoríficos para exportar carne bovina para a China, especialmente antes da implementação de novas cotas de exportação. Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, explica que a lógica do mercado foi alterada. Tradicionalmente, o Brasil exporta mais no segundo semestre, mas neste ano o fluxo foi invertido.

O governo chinês anunciou em janeiro uma sobretaxa de 55% sobre as exportações que superarem 1,1 milhão de toneladas até 2026, mantendo uma tarifa de 12% para volumes abaixo desse limite. Isso gerou um aumento na demanda por exportação antes que as novas taxas entrassem em vigor.

Expectativa para os próximos meses

Apesar de uma possível diminuição no ritmo de compras da China, a tendência continua sendo de alta nos preços até o final de 2026, pressionada por fatores como o fenômeno climático El Niño, a crescente demanda nos EUA, e o eventual retorno da China ao mercado.

Oferta reduzida enfatiza a situação do mercado interno

Durante este período, Iglesias ressalta que a oferta reduzida tem um impacto maior sobre os preços do que uma demanda interna aquecida. O poder de compra do brasileiro permanece baixo, agravado pelo aumento do endividamento, o que limita o consumo de produtos essenciais.

No entanto, a consultoria Agro do Itaú BBA destaca que, mesmo com uma ligeira melhoria na oferta de gado, a demanda por exportação absorveu rapidamente a produção desde o início do ano. As exportações para a China aumentaram 24% em comparação ao mesmo período do ano anterior, representando 51% do total exportado.

Impacto da União Europeia nas exportações

Em relação à suspensão das compras de carne bovina do Brasil pela União Europeia, Iglesias acredita que isso não deve impactar significativamente os preços. A Europa representa apenas 3,5% das exportações brasileiras. Sua ausência é mais simbólica e pode afetar a imagem do país do que resultado em perdas substanciais de volume exportado.

No início de maio, a UE excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne, citando o não cumprimento de exigências relacionadas ao uso de substâncias na produção animal. Esta medida entrará em vigor em setembro.

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