A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, 29 anos, ganhou destaque internacional após a Justiça do Irã manter a condenação dela a 74 chibatadas por uma apresentação sem hijab. A decisão foi confirmada por um tribunal de apelação da província de Qom na última semana. Além da punição física, a artista e integrantes de sua equipe foram proibidos de exercer atividades artísticas e de deixar o país por dois anos.
Nascida em 1997, em Nowshahr, no norte do Irã, Parastoo é cantora, compositora e cineasta. Ela estudou direção de cinema na Universidade Sooreh, em Teerã, e tem sua carreira ligada principalmente à música tradicional, clássica e folclórica iraniana.
Ahmadi ganhou maior projeção em 2022, durante os protestos que tomaram o Irã após a morte de Mahsa Amini, jovem que havia sido detida pela chamada Polícia da Moral por questões relacionadas ao uso do hijab. Naquele período, Parastoo lançou a música Do Sangue da Juventude da Pátria, que passou a ser associada às manifestações.
Dois anos depois, em dezembro de 2024, ela publicou no YouTube uma apresentação gravada em um antigo caravançarai na província de Qom. No vídeo, Parastoo aparece usando um vestido longo preto, com os ombros descobertos e sem o véu obrigatório. Ela também canta sozinha, algo que é restrito às mulheres no Irã. A apresentação ultrapassou 3 milhões de visualizações na plataforma e provocou uma reação das autoridades.
A legislação iraniana determina o uso do hijab em público e impõe restrições à atuação de mulheres como cantoras diante de públicos mistos. Em junho de 2026, um tribunal criminal de Qom determinou a pena de 74 chibatadas, além das restrições às atividades artísticas e às viagens. A Justiça considerou a apresentação “obscena” e contrária às normas morais e religiosas do Irã. A defesa recorreu, mas o tribunal de apelação rejeitou o recurso e manteve a sentença.
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