Cabo Frio e Arraial do Cabo estão entre as cidades da Região dos Lagos onde são cumpridos mandados da Operação Escola de Papel, deflagrada nesta quinta-feira (1º) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A investigação apura suspeitas de desvios de recursos públicos destinados a reformas de escolas estaduais em contratos realizados entre 2024 e 2025.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a pessoas físicas e empresas na região, na capital, no Rio de Janeiro e em Niterói, e na Baixada Fluminense. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.
Segundo o MPRJ, a apuração aponta possíveis indícios de direcionamento de contratações, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Entre os investigados estão ex-integrantes da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e empresários. São apurados crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a investigação, os recursos eram repassados pela Seeduc às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), responsáveis por administrar verbas destinadas à manutenção e melhorias das unidades. O dinheiro, então, chegava às empresas contratadas para executar as obras.
Os investigadores suspeitam que parte dos contratos tenha sido direcionada e que os valores pagos fossem superiores ao custo efetivo dos serviços. Após os pagamentos, a diferença seria sacada em espécie ou transferida para empresas ligadas ao grupo, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Um dos episódios que chamou a atenção da investigação ocorreu em 16 de janeiro de 2026, quando policiais acompanharam o saque de R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias. O dinheiro estava em uma sacola plástica dentro de uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte dos valores.
Ainda segundo os investigadores, o administrador da empresa que realizou o saque afirmou que recebeu cerca de R$ 6 milhões por aproximadamente 15 obras, mas apenas R$ 2 milhões teriam sido usados na execução dos serviços. Os outros R$ 4 milhões, segundo o depoimento, teriam ficado com um intermediário responsável pelas contratações e pela movimentação da conta.
A análise financeira apontou ainda que uma das empresas investigadas recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025, dos quais aproximadamente R$ 8,93 milhões foram sacados em espécie.
A operação busca identificar os possíveis beneficiários dos recursos e reunir provas sobre a atuação dos investigados. A apuração permanece em andamento e corre sob sigilo.





