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Protestos estudantis deixam escolas incendiadas e diretora ferida na França

A França enfrenta uma nova onda de protestos e greves, com atos de estudantes e servidores públicos se espalhando pelo país e episódios de violência em diferentes cidades. Nesta quinta-feira, 1º de outubro, uma diretora foi atacada em uma escola de Marselha, enquanto dois colégios foram atingidos por incêndios. Em outro episódio, manifestantes incendiaram um caminhão dos bombeiros que havia chegado para combater as chamas.

Na escola secundária Victor Hugo, em Marselha, a diretora foi atingida por gasolina e ficou ferida, segundo a Procuradoria. As autoridades não divulgaram detalhes sobre o estado de saúde da profissional. Na mesma cidade, centenas de jovens cercaram um caminhão dos bombeiros enviado para combater um incêndio na escola Saint-Exupéry. Os agentes foram obrigados a abandonar o veículo, que acabou incendiado, informou a polícia.

Outro incêndio atingiu a escola secundária Nelson Mandela, em Nantes, no oeste do país. O fogo foi controlado e não deixou feridos, segundo Olivier Chateau, assessor do prefeito local, em entrevista à emissora Franceinfo. O prédio foi esvaziado, e os estudantes que chegariam para as aulas foram mandados de volta para casa.

Em Saint-Denis, nos arredores de Paris, estudantes entraram em confronto com a polícia durante uma manifestação nesta quinta-feira. Os manifestantes acusaram os agentes de utilizar gás lacrimogêneo, enquanto as autoridades afirmaram que a violência foi provocada por grupos que tentavam ampliar os bloqueios.

O movimento

Os protestos estudantis começaram na semana passada e têm como principais reivindicações a contratação de mais professores, recursos adicionais para as escolas e melhorias nas condições de aprendizagem. Os atos também denunciam problemas estruturais nos colégios, como salas superlotadas e dificuldades relacionadas ao calor excessivo.

A mobilização ocorre em paralelo a manifestações de servidores públicos contra cortes de gastos do governo. Eles reivindicam reajustes salariais, novas contratações e melhores condições de trabalho. A categoria também contesta o congelamento do índice usado para calcular os salários do funcionalismo: desde 2017, o indicador foi reajustado apenas duas vezes, em 2022 e 2023, enquanto a inflação acumulada deve chegar a 24,17% até o fim deste ano, segundo o Insee, instituto nacional de estatísticas.

Na terça-feira 29, uma jornada nacional de greves e manifestações terminou com ao menos 440 pessoas detidas, a maioria menores de idade. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 200 mil pessoas participaram de mais de 170 manifestações em todo o país, enquanto a Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou o público em mais de 300 mil.

Pressão sobre o governo

A onda de mobilizações acontece em um momento delicado para o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que tenta avançar com um plano de austeridade que cortará 54 bilhões de euros (mais de R$ 316 bilhões) do orçamento para 2027. As medidas de contenção enfrentam resistência de sindicatos e de outros setores da sociedade, que afirmam que o ajuste fiscal não pode comprometer salários e serviços públicos.

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Nesta quinta-feira, o gabinete de Lecornu realizou uma reunião de emergência para discutir os protestos, que já deixaram dezenas de feridos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que, em alguns locais, grupos envolvidos nos distúrbios estavam se deslocando de escola em escola para incentivar atos de violência; já o chefe da pasta de Educação, Édouard Geffray, pediu que colégios adotem aulas remotas. “A violência não impedirá que nossos alunos exerçam seu direito fundamental à educação”, escreveu ele no X (ex-Twitter).

A mobilização ocorre a poucos meses da eleição presidencial francesa, marcada para abril e maio de 2027, e acrescenta pressão sobre o governo do centrista Emmanuel Macron em meio às discussões sobre o orçamento. A França também enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas, com a dívida em níveis elevados e resistência às medidas de austeridade propostas pelo Executivo.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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