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MPRJ e Polícia Civil faz Operação Escola de Papel e investiga suspeita de desvio de verbas para reformas de escolas no RJ

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quinta-feira, a Operação Escola de Papel, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados a obras de reforma e manutenção de escolas da rede estadual.

Entre os investigados estão integrantes da antiga cúpula da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), entre eles a ex-secretária Roberta Oliveira, o genro dela, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, capitão do Corpo de Bombeiros, e o ex-subsecretário de Administração David de Andrade Marinho Filho.

Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.

Outro alvo da operação é Fabio Martins Pereira, proprietário da Virtual Construtora, apontado pelos investigadores como responsável pelo núcleo financeiro do suposto esquema.

Operação ocorre em diferentes cidades

As equipes também investigam a participação do policial militar Yan Lope Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie.

Mandados são cumpridos na capital fluminense, Duque de Caxias, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Niterói.

Na casa da ex-secretária, em Duque de Caxias, os agentes encontraram o imóvel vazio e precisaram arrombar a porta para cumprir a ordem judicial.

A operação é coordenada por promotores com Atribuição Originária Criminal do procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), da Polícia Civil.

Os investigados são apurados por suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigação começou após alerta do Coaf

Segundo o MPRJ, a apuração teve origem em informações encaminhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre saques frequentes de aproximadamente R$ 500 mil em uma agência bancária de Duque de Caxias.

Em 16 de janeiro, agentes do Ciaf acompanharam, a pedido do Ministério Público, a retirada de dinheiro feita pelo administrador da empresa MCK Reformas e Construções Ltda., contratada para realizar obras em escolas estaduais.

De acordo com a investigação, o dinheiro foi colocado em uma sacola plástica dentro de uma caminhonete blindada conduzida por um policial militar armado. Os investigadores apontam que o PM era Yan Lopes, que faria a segurança do transporte dos valores.

Em depoimento, o empresário afirmou que a MCK recebeu aproximadamente R$ 6 milhões por cerca de 15 obras, mas que apenas R$ 2 milhões teriam sido efetivamente utilizados nos serviços. Segundo o relato apresentado à investigação, os outros R$ 4 milhões teriam ficado com um intermediário responsável pelas contratações e pelo controle da conta bancária.

Como funcionaria o suposto esquema

De acordo com as investigações, os recursos saíam da Secretaria de Educação e eram repassados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), entidades privadas sem fins lucrativos vinculadas às unidades de ensino e administradas por seus diretores.

Os valores, então, chegavam às empresas contratadas para executar as reformas.

O Ministério Público identificou indícios de direcionamento de contratos e superfaturamento, com valores superiores aos custos reais dos serviços. Após os pagamentos, parte dos recursos seria sacada em espécie ou transferida para outras empresas ligadas ao grupo, que também realizariam saques.

Para os investigadores, a movimentação dificultava o rastreamento do dinheiro e a identificação dos possíveis beneficiários.

Patrimônio e movimentação financeira

A Polícia Civil identificou indícios de que parte dos recursos teria sido utilizada na aquisição de imóveis e veículos.

Entre os bens levantados estão uma casa em Cabo Frio e um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões, em Camboinhas, em Niterói.

O levantamento patrimonial aponta ainda patrimônio estimado em R$ 32,22 milhões e empresas relacionadas a um dos investigados que seriam proprietárias de 60 veículos, avaliados em cerca de R$ 15,63 milhões.

A análise dos contratos e das movimentações financeiras também apontou que uma das empresas investigadas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025. No mesmo período, cerca de R$ 8,93 milhões foram sacados em espécie.

Contratos de até R$ 1,6 bilhão

A investigação ocorre em meio a uma apuração mais ampla sobre contratos da Secretaria de Educação firmados durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro.

Investigações e auditorias apontam suspeitas de irregularidades em contratos sem licitação destinados a reformas de escolas, incluindo possíveis indícios de cartel e direcionamento de empresas vencedoras.

Segundo levantamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo do Estado, as contratações consideradas irregulares teriam alcançado aproximadamente R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025.

Objetivo da operação

Com a Operação Escola de Papel, o Ministério Público e a Polícia Civil buscam identificar os possíveis destinatários dos recursos desviados e reunir provas sobre a atuação dos diferentes núcleos que, segundo a investigação, fariam parte do esquema.

A apuração considera a existência de possíveis núcleos administrativo, empresarial e financeiro, além das conexões entre responsáveis pelas contratações, movimentação dos recursos e transporte de dinheiro em espécie.

O que diz a Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que, desde o início da atual gestão da secretária Luciana Calaça, vem promovendo a revisão dos contratos e dos procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo da rede estadual.

A pasta também afirmou que continua colaborando com o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Polícia Civil e outros órgãos de controle e investigação.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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