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Governadora de NY critica investigação de estupro coletivo em Cornell e troca responsável

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, criticou nesta sexta-feira, 2, a condução da investigação sobre um suposto estupro coletivo envolvendo uma estudante da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Segundo ela, a vítima foi “deixada na mão” por instituições que deveriam protegê-la, incluindo a polícia universitária e a promotoria local. Hochul afirmou ainda que vai garantir que todos os fatos do caso sejam esclarecidos.

A declaração ocorreu um dia depois de Hochul anunciar que a procuradora-geral do estado, Letitia James, assumirá a investigação como promotora especial. A decisão representa uma mudança na condução do caso, que havia sido encerrado sem acusações criminais em 2024 e foi reaberto pela promotoria do condado de Tompkins nesta semana após a apresentação de uma ação civil.

“Não permitirei que este caso seja varrido para debaixo do tapete”, afirmou Hochul em entrevista coletiva ao lado de James. A governadora também criticou a atuação da polícia de Cornell. Segundo ela, as autoridades deveriam ter encaminhado à promotoria um relato de que uma estudante teria sido sexualmente agredida por cinco homens enquanto estava intoxicada em uma casa de fraternidade.

Entenda a investigação

O caso veio novamente a público após uma ex-aluna, identificada na ação civil pelo pseudônimo Jane Doe, processar sete estudantes, bem como a própria Cornell, a fraternidade Chi Phi e outros envolvidos. Apresentada em setembro, a ação afirma que a estudante tinha 20 anos quando participou de uma festa na sede da fraternidade, em outubro de 2024. Segundo o processo, ela teria consumido álcool e drogas, incluindo cetamina e maconha, e ficado incapacitada antes de ser sexualmente agredida durante horas.

As acusações não foram julgadas. Advogados de dois dos homens processados negaram que seus clientes tenham cometido agressão sexual. Um deles afirmou que seu cliente não tocou na estudante nem fez uso de drogas.

A investigação criminal original terminou sem acusações em 2024. O então promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, afirmou que o relato inicialmente apresentado à polícia universitária não estabelecia que havia ocorrido um crime. Segundo ele, a versão dada na época não incluía alegações de que a estudante havia sido dopada, estava incapacitada a ponto de não poder consentir ou havia sido forçada a manter relações sexuais.

Van Houten afirmou nesta semana que as alegações apresentadas na ação civil são “dramaticamente diferentes” do relato registrado pela polícia em 2024. Posteriormente, porém, ele disse à CBS News que não havia visto o relato detalhado apresentado no processo e que sua decisão havia se baseado em uma declaração elaborada por um policial da universidade.

Reabertura

A reabertura da investigação ocorreu depois que as novas alegações foram apresentadas. Agora, James ficará responsável por uma nova análise das evidências e poderá apresentar o caso a um júri de instrução caso identifique elementos suficientes para acusações criminais.

Hochul também questionou a legislação estadual sobre situações em que a vítima de um crime sexual consumiu voluntariamente álcool ou drogas. “Se alguém estiver intoxicado demais para consentir, não deveria importar se escolheu consumir drogas ou álcool”, afirmou a governadora.

James disse que sua prioridade será a investigação criminal e que, neste momento, não pretende concentrar o trabalho na atuação do promotor local. “Vamos aonde os fatos nos levarem”, afirmou.

O caso também provocou mudanças dentro de Cornell. A universidade suspendeu por tempo indeterminado a unidade da Chi Phi e anunciou uma investigação independente sobre a forma como lidou com as alegações da estudante. A instituição afirmou apoiar a reabertura da investigação criminal e disse que uma apuração disciplinar interna resultou em diferentes sanções, incluindo expulsões e suspensões.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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