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Copiloto planejou ataque em voo para Israel mesmo antes de entrar na Flydubai, diz agência

O copiloto da Flydubai que atacou seu comandante em uma suposta tentativa de derrubar o avião que viajava de Dubai para Tel Aviv, em Israel, na última quarta-feira, 30, disse a investigadores dos Emirados Árabes Unidos que planejou o ataque antes de ser contratado pela companhia aérea. As informações são da agência de notícias Reuters, que ouviu duas autoridades israelenses sobre o assunto. O voo FZ1073 precisou fazer um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita.

Uma terceira fonte informada sobre a investigação do caso disse à Reuters que o agressor, um cidadão de Omã, havia planejado jogar a aeronave contra o aeroporto Ben-Gurion, perto de Tel Aviv. Ele também havia operado um voo para mesma cidade israelense no início deste ano e pretendia sequestrar e derrubar o avião naquela ocasião — mas desistiu, ao que tudo indica, por conhecer alguém que estava a bordo, acrescentou a fonte.

O histórico profissional do suspeito também passou a ser examinado. Segundo o jornal The Wall Street Journal, ele havia sido proibido de voar em Omã por preocupações relacionadas a posições extremistas antes de ser contratado pela Flydubai. A reportagem não conseguiu determinar se as autoridades omanis compartilharam essas informações com outros países ou companhias aéreas.

+ ‘Uma montanha-russa’: o relato de passageiros sobre esfaqueamento em voo para Israel

Na semana passada, o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, classificou o esfaqueamento do piloto indiano indiano Smit Machchhar foi um ataque terrorista que, realizado com um machado de emergência, pretendia assumir o controle da aeronave. 

Havia 182 pessoas a bordo do voo FZ1073. Após o ataque, passageiros e integrantes da tripulação ajudaram a conter o agressor. Outros pilotos que viajavam na aeronave assumiram o controle e conseguiram pousar em segurança. O comandante e o copiloto ficaram feridos e receberam atendimento médico. Os passageiros seguiram posteriormente para Tel Aviv em outro avião da companhia.

Segundo o site de monitoramento Flightradar24, a aeronave transmitiu inicialmente um sinal geral de emergência e, minutos depois, outro alerta que indicava uma possível interferência ilícita na aeronave. Dados de rastreamento indicam que o avião chegou a perder quase 14 mil pés (mais de 4 mil metros) de altitude em menos de 30 segundos antes de se estabilizar.

‘Tragédia semelhante ao 11 de setembro’

Na semana passada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou um pronunciamento em vídeo afirmando que os detalhes do caso estão se tornando “cada vez mais claros”.

O líder israelense afirmou que tripulantes e passageiros evitaram uma tragédia semelhante aos atentados de 11 de Setembro, alegando que o copiloto passou por um processo de radicalização islâmica com o objetivo explícito de derrubar o avião junto com os passageiros.

Netanyahu disse ainda que a investigação conduzida por Israel busca entender se o copiloto cumpria ordens de alguma organização externa, prometendo punição severa a quem estivesse por trás do ataque. Além disso, o premiê reforçou que autoridades israelenses pretendem participar das apurações lideradas pelos Emirados e interrogar o suspeito para analisar suas motivações e histórico.

O governo israelense declarou que ainda não sabe se houve alguma ligação do ataque com o Irã e Netanyahu afirmou que ainda é cedo para conclusões definitivas.

Vantagens políticas

Uma fonte ligada ao governo emirati, ouvida pela emissora israelense Canal 12, relatou que Israel estaria usando o episódio para obter vantagens políticas, prejudicando a operação da Flydubai e transmitindo a falsa impressão de que os Emirados estariam em guerra.

“Os emiratis não compreendem a conduta de Israel; a sensação deles é de que a questão está sendo movida pelas eleições, e não pela lógica”, disse a fonte, segundo o Canal 12.

Segundo a agência de notícias estatal dos Emirados, a WAM, a investigação emirati busca determinar se o episódio teve relação com alguma “atividade ou tentativa terrorista” e se houve planejamento prévio. O país afirma ter jurisdição sobre o caso porque o avião é registrado nos Emirados e opera sob sua bandeira.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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