Christa Pike, de 50 anos, está consciente e consegue falar enquanto permanece internada em um hospital do Tennessee, nos Estados Unidos, após sobreviver a uma tentativa de execução com duas doses de injeção letal na semana passada. A informação foi divulgada pelos advogados da detenta que, nesta quarta-feira, 7, pedirão que a Justiça determine a preservação de provas relacionadas ao procedimento.
Pike recebeu duas doses de pentobarbital, um dos medicamentos utilizados em protocolos de execução por injeção letal, em 30 de setembro. Ela deveria ser a primeira mulher executada pelo estado do Tennessee em mais de 200 anos.
Após a primeira aplicação, testemunhas relataram que a prisioneira apresentou sinais de sofrimento durante cerca de uma hora. A segunda dose também não produziu o efeito esperado, e Pike foi levada de ambulância para um hospital, onde chegou em estado crítico e precisou ser intubada.
“Contra todas as expectativas, Christa Pike está consciente, falando e continua recebendo cuidados médicos essenciais”, afirmaram os advogados em comunicado. Segundo a defesa, ela sofreu ferimentos graves nos braços e permanece algemada e acorrentada à cama. O prognóstico ainda é considerado incerto, e a equipe jurídica prevê uma recuperação prolongada.
Apelos ao fim da pena de morte
Na audiência desta quarta-feira, os advogados devem solicitar que o Departamento Correcional do Tennessee preserve todas as evidências físicas, documentais e eletrônicas relacionadas à tentativa de execução. A defesa também marcou uma entrevista coletiva para comentar o caso.
Antes da execução, os advogados haviam alertado que o procedimento poderia ser especialmente difícil por causa das condições das veias de Pike. Depois da tentativa, um deles classificou o episódio como “cruel e torturante” e afirmou ter contado sete marcas de agulha no braço esquerdo da prisioneira.
O caso provocou críticas ao sistema de execução do Tennessee e reacendeu o debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Frank Strada, então responsável pelo sistema penitenciário estadual, deixou o cargo após o episódio — a equipe de defesa afirmou que esta foi a quinta execução mal sucedida ocorrida sob sua gestão em dois estados. Após o incidente envolvendo Pike, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu por lá todas as execuções restantes previstas para 2026.
O crime
Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. As duas eram colegas no programa Knoxville Job Corps. Segundo os promotores, Pike suspeitava que Slemmer estivesse interessada em seu namorado, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos à época.
De acordo com a acusação, Pike e Shipp levaram Slemmer para uma área arborizada próxima ao campus agrícola da Universidade do Tennessee, onde a jovem foi torturada e morta. Pike nunca negou participação no crime. Shipp foi condenado por homicídio em primeiro grau, em 1997, e recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
Ao longo dos anos, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. A defesa também apresentou relatos de que ela sofreu abusos durante a infância, incluindo estupros e agressões físicas.
O caso de grande repercussão chegou a ser contestado por especialistas em direitos humanos devido à idade de Pike na época do crime, ao seu histórico como vítima de abuso e a potenciais doenças mentais não tratadas. Na era moderna da pena de morte, após 1976, o Tennessee nunca executou alguém que tivesse apenas 18 anos na época do delito.
Pike passou quase três décadas no corredor da morte, muitas delas em confinamento solitário. A equipe jurídica continua pedindo ao governador do Tennessee que transforme sua pena em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.





