POLÍTICA

Roberto Campos Neto presta depoimento à PF sobre caso Master

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, presta um depósito à Polícia Federal nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Ele está sendo ouvido como testemunha no âmbito das investigações que investigam alegações de fraudes envolvendo o Banco Master, em conexão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

O depoimento ocorre por meio de videoconferência e faz parte de uma série de oitivas realizadas pela PF, que visa fechar um dos inquéritos que se originaram do caso. Essa ação é uma tentativa de entender todas as nuances e possíveis irregularidades envolvidas nas operações do Banco Master e suas interações com os órgãos reguladores.

No dia anterior, 6 de outubro, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também depôs à PF na mesma condição de testemunha e por videoconferência.

Ele foi chamado para esclarecer a relação de dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves, com Daniel Vorcaro. Durante o período em que os dois ocupavam cargos de direção na instituição, eles estiveram em contato significativo com o ex-banqueiro.

Em investigações recentes, a PF encontrou mensagens no celular de Vorcaro que sugerem que os referidos servidores estavam proporcionando consultoria privada ao ex-banqueiro. A intenção aparente era beneficiar o Banco Master em momentos de instabilidade financeira, o que levanta questões éticas e legais sobre o papel destes funcionários durante sua atuação no Banco Central.

De acordo com a Polícia Federal, Belline e Paulo Sérgio teriam recebido propinas que somam milhões de reais de Vorcaro em troca de informações privilegiadas.

Ambos foram afastados de seus cargos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e negaram veementemente as acusações feitas contra eles, tanto em depoimentos anteriores quanto durante este novo ciclo de investigações.

O próprio Daniel Vorcaro, ao prestar um depoimento, não negou completamente sua ligação com os servidores. Ele saiu em defesa da prática de que era comum funcionarios do Banco Central ativa ciclos de assistência a instituições financeiras, algo que levanta ainda mais questões sobre a transparência e a condução de negócios no setor.

A Polícia Federal está particularmente interessada em determinar se Campos Neto tinha ciência dessa relação suposta entre os servidores e Vorcaro durante sua gestão. Além disso, investiga se ele fez algum movimento para afastar suspeitas de favorecimento em relação ao Banco Master, que, sob sua gestão, sofreu transformações significativas, sendo que o Banco Máxima passou a ser Banco Master.

As investigações alegam que, neste período, Vorcaro teria conseguido inflar o patrimônio do Banco Master a valores que atingem até R$ 40 bilhões, em fraudes orquestradas.

Apesar da expectativa de que o chairman do BTG Pactual, André Esteves, prestasse depoimento, sua oitiva foi adiada.

Ele é uma figura importante no caso, pois teria sido um dos denunciantes das fraudes envolvendo o Banco Master. A nova data para seu depoimento ainda não foi definida, mas sua contribuição pode ser crucial para o resultado das investigações.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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