Nasci e cresci numa família de artistas. Mãe, irmã, tios, primos, sobrinhos, todos ligados, de alguma forma, a expressões artísticas: música, cinema, teatro, novelas e séries. Sei bem a força que as histórias podem ter para ensinar, formar e informar o público. Se olharmos detidamente, cinema e televisão estão formados hábitos comportamentais desde que foram criados. Alguns são valiosíssimos: de campanhas sobre prevenção de doenças à localização de crianças perdidas.
Mas é quando a televisão usa a força da comunicação de massa para falar de dependências e transtornos comportamentais que ela cumpre uma de suas mais bonitas missões. Foi pensando nisso que propus às minhas parceiras de trabalho, Sabrina Presman e Elizabeth Carneiro, um novo livro que abordasse justamente essa rica relação, de como as artes – cinema, novelas, séries, teatro, música, literatura – exploram o tema. Elas toparam e depois de muito trabalho, finalmente chega às livrarias “Luz, câmera… compulsão! – Como filmes, séries e novelas explicam as dependências humanas” (Editora Máquina de Livros). O lançamento será na próxima terça-feira, dia 13, às 19h horas, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. O livro traz diversas entrevistas com alguns dos melhores autores e atores que criaram brilhantes personagens com dependências e transtornos: Thiago Fragoso, Deborah Evelyn, Nathalia Dill, Gloria Perez, só para citar alguns.
Mas você deve estar se perguntando: afinal, o que filmes, séries e novelas têm a nos ensinar sobre as dependências? Mais do que se imagina. E talvez a melhor maneira de explicar isso seja começando pelas perguntas que tantas pessoas fazem. Por que algumas pessoas usam drogas sem desenvolver problemas, enquanto outras perdem o controle? O que aumenta a vulnerabilidade ao álcool, à cocaína, aos jogos, às compras ou à tecnologia? Apesar dos avanços científicos, ainda há preconceito e desconhecimento. As histórias podem ajudar a compreender esses transtornos e seus efeitos.As dependências aparecem com frequência na dramaturgia porque geram conflitos. Heleninha Roitman (Renta Sorrah), em “Vale Tudo”; Orestes (Paulo José), em “Por Amor”; Mel (Debora Falabella), em “O Clone”; e Heloísa (Giulia Gam), em “Mulheres Apaixonadas” aproximaram milhões de espectadores desse sofrimento.
A ficção também já romantizou o cigarro e o álcool, mas hoje muitas produções mostram suas consequências. É essa dupla capacidade das artes — influenciar comportamentos e ampliar a compreensão — que exploramos no livro.
Na próxima coluna, falaremos mais sobre o livro que tanta alegria e orgulho está nos trazendo neste momento. Até lá!
Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp (CRM 5249669-2 e RQE 21502); professora da PUC-Rio e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.





