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Lula impõe nova derrota aos Bolsonaro com 4,4 milhões de votos de vantagem

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Flávio Bolsonaro anunciou que vai pedir a anulação do segundo turno da eleição presidencial. Ele tem o direito de não reconhecer e até de contestar o resultado da derrota nas urnas, como fez seu pai em 2022.

Escolheu esse caminho depois de sair da segunda rodada eleitoral com 59,8 milhões de votos — 3,7 milhões  a mais do que havia conseguido no primeiro turno.

“É impossível reconhecer o resultado, o que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável” — disse sobre a intervenção judicial caótica que prorrogou a votação por duas horas em áreas afetadas por chuvas e por uma suspeita escassez de ônibus nas ruas.

A interferência da Justiça Eleitoral foi pedida pelo Partido Liberal de Flávio Bolsonaro e, também, pelo Partido dos Trabalhadores de Lula.

A confusão teve origem na omissão do juiz Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, seguida pelo ativismo do juiz Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que ordenou a prorrogação.

Se houve algum benefício institucional, ninguém sabe. É certo, porém, que o impasse judicial criou um ambiente de insegurança, agora usado pelo candidato do Partido Liberal como pretexto para uma batalha jurídica baseada na negação da derrota.

O problema de Flávio Bolsonaro é a realidade: contados os votos, o adversário Lula teve 4,4 milhões de votos a mais que ele.

Não é um pequeno número de eleitores. Equivale a toda população do Amazonas, e ultrapassa a da Paraíba ou do Espírito Santo.

Essa vantagem permitiu a Lula reverter em dobro a diferença conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, de 2,2 milhões de votos.

Lula se elegeu para o quarto mandato presidencial com 64,2 milhões de votos — ou seja, 10,1 milhões a mais do que obteve no primeiro turno.

O mapa das urnas conta a história do crescimento do seu eleitorado em todas as regiões nas últimas três semanas.

O Nordeste deu-lhe 21,4 milhões de votos no primeiro turno. Agora, garantiu-lhe 23,6 milhões.

Conseguiu aumentar em 10% a votação dentro da sua maior base, foram os eleitores nordestinos que, em 2022, garantiram-lhe a vitória contra Jair Bolsonaro.

No Sudeste avançou de 15,5 milhões de votos para 18,3 milhões, aumento de 18% em comparação com o resultado da primeira rodada.

No Estado de São Paulo perdeu no interior, venceu na capital e acrescentou 1,6 milhão de votos. Em Minas Gerais obteve um milhão a mais.

Na região Sul subiu de 5,4 milhões para 6,7 milhões de votos. Esse avanço de 24% é expressivo, sobretudo, porque o PL de Flávio Bolsonaro elegeu no primeiro turno os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

No Centro-Oeste saiu de 2,9 milhões para 3,6 milhões, crescimento de 24,8%. E na região Norte foi de 4,5 milhões para 4,9 milhões de votos, um acréscimo de 8,8%.

Assim, pela segunda vez em quatro anos, a maioria (51,8%) dos eleitores vetou o retorno de um Bolsonaro à presidência da República.

As consequências são evidentes. Os eleitores racharam a direita no primeiro turno ao ampliar (em cerca de 7%) a bancada extremista nos plenários do Congresso, que está agrupada no Partido Liberal e no seu satélite, o Novo.

Esse aumento ocorreu em cima dos partidos do Centrão, cujas perdas serão equivalentes em volume de dinheiro dos fundos eleitoral e partidário. Ainda assim, os partidos do Centrão continuarão controlando metade do votos na Câmara e 40% no Senado.

O resultado eleitoral não só ampliou o racha na direita dentro do Legislativo como, também, sinaliza um conflito do Centrão com o PL na eleição do comando da Câmara e do Senado em fevereiro.

O desafio de Lula, a partir desta segunda-feira (26/10), é negociar o rumo do seu quarto governo com o Centrão, ampliando o isolamento do Partido Liberal de Flávio Bolsonaro.

Não haverá dia fácil no Congresso, mas o momento é favorável até porque vai começar a tradicional corrida de deputados e senadores para “ajudar” o presidente eleito.