A estratégia de mobilização digital que ganhou força na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a ser reproduzida na política fluminense. Inspirado no chamado “Exército do Lula”, o canal de WhatsApp “Exército do Dudu”, formado por apoiadores de Eduardo Paes (PSD), já reúne cerca de 99 mil seguidores até às 20h desta segunda-feira (26), tendo como objetivo político bem definido: aumentar a pressão pela realização de um segundo turno na disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.
O movimento ganhou força após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Criado depois do primeiro turno das eleições estaduais e posteriormente rebatizado, o canal busca repetir a estratégia de engajamento utilizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de seguidores e se tornou uma das principais frentes de mobilização digital da campanha presidencial.
A articulação em torno de Paes também ganhou apoio de aliados políticos. Os vereadores Joyce Trindade, Salvino Oliveira e Flávio Valle, todos do PSD, publicaram nas redes sociais uma cobrança ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela realização de uma nova votação. A manifestação foi compartilhada por integrantes do secretariado municipal ligados ao ex-prefeito.
O deputado federal eleito Renan Ferreirinha (PSD) também entrou na mobilização, divulgando um vídeo para incentivar a adesão ao canal e defender que os eleitores fluminenses tenham a oportunidade de escolher o governador em segundo turno.
A movimentação ocorre enquanto o PSD tenta reverter judicialmente a eleição de Douglas Ruas (PL), proclamado vencedor no primeiro turno após a anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) e o consequente recálculo dos votos válidos.
Na apuração inicial de 4 de outubro, o resultado apontava para uma disputa entre Ruas e Paes no segundo turno. A mudança posterior levou o PSD a recorrer ao STF, sob o argumento de que os votos anulados deveriam ser considerados para definir a necessidade de uma nova votação.
Embora Eduardo Paes tenha declarado respeito à decisão judicial, seus aliados mantêm a pressão política. O processo tem como relator o ministro Cristiano Zanin.
Com o crescimento do “Exército do Dudu”, a aposta dos apoiadores é transformar o engajamento virtual em pressão pública sobre a disputa judicial. Diferentemente do movimento em favor de Lula, que buscava conquistar votos antes de uma eleição confirmada, a mobilização fluminense tenta, primeiro, garantir que uma nova votação seja realizada.

