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Gadi Eisenkot ameaça Netanyahu em eleição histórica israelense

Gadi Eisenkot se destaca como adversário de Netanyahu em eleições que marcam um momento decisivo na política israelense, com promessas de mudança e investigação.

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Quem é Gadi Eisenkot?

O ex-chefe das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, de 66 anos, se destaca como o principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições legislativas de 27 de outubro de 2026. Esta é a primeira eleição no país desde os ataques do Hamas em 2023. Comandando o partido Yashar, Eisenkot ganha força na oposição ao prometer mudanças na política nacional, após três anos de intensos conflitos na Faixa de Gaza.

Filho de imigrantes marroquinos e o segundo de nove irmãos, Eisenkot cresceu em Tiberíades e Eilat, regiões distantes dos centros políticos. Sua carreira militar começou em 1978 na Brigada Golani, uma das principais unidades de combate de Israel. Entre 2015 e 2019, ele ascendeu ao cargo de chefe do Estado-Maior, posição obtida através de uma nomeação feita por Netanyahu.

Trajetória política e descontentamento com Netanyahu

A trajetória política de Eisenkot se iniciou em 2022, quando se aliou ao ex-ministro da Defesa Benny Gantz, conquistando uma vaga no Parlamento. Após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, ambos integraram o gabinete de guerra de Netanyahu. Contudo, essa aliança se desfez em junho de 2024, quando Eisenkot começou a criticar abertamente o primeiro-ministro, acusando-o de falta de estratégia no conflito e de comprometer a segurança dos reféns israelenses.

As consequências da guerra atingiram profundamente sua família, com perda de seu filho mais novo e de sobrinhos em combate. Essas tragédias passaram a figurar como parte central de sua narrativa, moldando a imagem de um líder que pessoalmente sofreu com a devastação dos conflitos.

Fundação do partido Yashar e propostas

Em 2025, Eisenkot fundou o Yashar, que significa “direto” ou “honesto” em hebraico, apresentando-se como uma alternativa à polarização política no país. Se eleito, ele se tornará o primeiro premiê israelense de origem mizrahi, uma comunidade com raízes no Oriente Médio e Norte da África.

Apesar das críticas, as posições de Eisenkot sobre o conflito israelense-palestino são alinhadas com as do governo atual. Ele é a favor de desmantelar a capacidade militar do Hamas, se opõe à criação de um Estado palestino e apoia assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais por muitos no direito internacional. Porém, também condena a violência de colonos e se opõe a projetos de expansão territorial promovidos por aliados de extrema direita de Netanyahu.

Eisenkot também propõe a criação de uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que possibilitaram os ataques de outubro de 2023, algo que Netanyahu evita discutir. Outras de suas promessas incluem a independência do Judiciário, redução do custo de vida e o fim das isenções do serviço militar para judeus ultraortodoxos.

Contexto das eleições em Israel

No dia 27 de outubro, os israelenses votam em um clima de polarização, com as eleições sendo vistas como um referendo sobre Netanyahu e seu governo ultradireitista. O clima tenso é exacerbado pelos conflitos recentes na Gaza, Líbano e Irã.

As urnas abriram às 7h00 e fecham às 22h00, com quase 7,3 milhões de eleitores, incluíndo mais de um milhão de jovens votantes pela primeira vez. As pesquisas indicam que Yashar pode conquistar entre 20 e 23 assentos no Parlamento, enquanto Netanyahu e sua coalizão não devem alcançar a maioria necessária para governar. Esse impasse concede aos partidos árabes um papel potencialmente decisivo nas negociações de coalizão, embora Eisenkot tenha resistência em include-los em sua administração.

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