Investigação sobre a Entrada de Flávio Bolsonaro
A deputada argentina Marcela Pagano apresentou, nesta quarta-feira, 28, uma denúncia junto à Justiça Federal de Puerto Iguazú. A denúncia visa investigar a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na Argentina, que ocorreu em um avião particular. A iniciativa foi feita após a confirmação de que o senador, acompanhado de sua mulher e suas duas filhas, cruzou a fronteira e embarcou em um voo para Guayaquil, no Equador.
Na sua publicação no X, Pagano levantou a questão de que Flávio estaria proibido de deixar o Brasil por ordem judicial. “Se entrou, alguém o deixou entrar. Se tentaram tirá-lo por um aeroporto federal, alguém olhou para o outro lado”, desafiou a deputada, convocando as autoridades a esclarecerem as circunstâncias do evento.
Pedido de Preservação de Provas
A parlamentar também solicitou a preservação das gravações das câmeras da ponte internacional e do aeroporto, além dos planos de voo e lista de passageiros do voo fretado. Ela quer que sejam investigados possíveis crimes relacionados à movimentação de pessoas e à omissão de deveres por parte de funcionários públicos.
“A fronteira argentina não é um corredor VIP de ninguém”, enfatizou Pagano, destacando a importância da soberania nacional em seu discurso.
Contexto da Viagem
A viagem de Flávio à Argentina ocorre em meio a uma controvérsia judicial. Em agosto de 2025, ele desobedeceu a uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava que o senador entregasse seus passaportes e se abstivesse de deixar o Brasil. Os passaportes, que não foram apresentados no prazo estipulado, foram posteriormente cancelados.
A situação está vinculada a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro em que Flávio é um dos alvos, ao lado de seu advogado Willer Tomaz. Ambos negam qualquer irregularidade.
Rota da Viagem e Repercussões
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio e sua família ingressaram no país às 22h50, de terça-feira, 27, através da Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Embora tenham apresentado documentos válidos, a entrada gerou questionamentos.
Cerca de 40 minutos após a entrada, o grupo embarcou em um voo da Baires Fly com destino a Guayaquil. O destino final da família ainda não foi confirmado, mas é relevante lembrar que, dias antes, o governo dos Estados Unidos concedeu vistos a Flávio e sua família.
Este episódio se deu três dias após Flávio Bolsonaro ter perdido a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um contexto onde o senador afirmara que ficaria no Brasil para liderar a oposição ao novo governo.


