Impactos alarmantes do Super El Niño no Brasil
O fenômeno climático conhecido como Super El Niño afetou a vida de 6,9 milhões de brasileiros entre 1º de julho e 30 de setembro de 2026. Durante este período, 1.035 municípios reportaram danos significativos, resultando em prejuízos financeiros que chegam a R$ 12,6 bilhões e 25 mortes, segundo um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
As consequências desses eventos climáticos incluem ondas de calor, secas, vendavais e inundações, que causaram desde a falta de energia até a perda de residências inteiras.
De acordo com o relatório, 87,7 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, com 808 residências totalmente destruídas e quase 50 mil danificadas. Além disso, 25 fatalidades foram registradas nos 1.035 municípios que proclamaram calamidade pública ou estado de emergência.
Setores mais atingidos e o impacto econômico
O impacto financeiro nas infraestruturas públicas e obras foi devastador, alcançando R$ 3,6 bilhões, com o abastecimento de água potável sendo o maior responsável, causando a privação de recursos básicos a milhões.
O setor agrícola, que já enfrenta desafios constantes, foi o mais prejudicado, com perdas estimadas em R$ 5,7 bilhões, devido à redução nas safras, dificuldades no escoamento e até a perda total de colheitas.
A especialista Marijane Lisboa, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, destaca que os efeitos do clima vão além do aspecto econômico, afetando diretamente a qualidade de vida da população. Ela enfatiza que transformações lentas, como a desertificação do semiárido, têm impactos duradouros na saúde e na alimentação de grupos vulneráveis, como povos indígenas e pequenos agricultores.
Regiões mais afetadas e a vulnerabilidade da população
A região Nordeste foi a mais impactada, com prejuízos de R$ 5,7 milhões devido a secas severas. Com 319 municípios em situação de emergência, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas foram afetadas, resultando em R$ 3,4 bilhões em perdas no agronegócio. O Sudeste e Sul também sofreram severamente, com R$ 4 bilhões e R$ 1,8 bilhões em perdas, respectivamente, devido a deslizamentos de terra, inundações e tornados.
A falta de chuvas na região Norte e os incêndios florestais no Centro-Oeste, que causaram impactos de R$ 175 milhões, também exemplificam a abrangência dos danos. Lisboa aponta que aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas, como comunidades indígenas e agricultores familiares, são os que mais sofrem com essas consequências.
Frequência e intensidade de eventos climáticos extremos
A CNM alerta que os eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais recorrentes, o que exige um aumento nas medidas de prevenção e resiliência climática.
O fenômeno El Niño, causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, ocorre ciclicamente a cada 2 a 7 anos. Recentemente, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) previu que o fenômeno atual deve atingir seu pico ainda este ano, com esperanças de ser um dos mais fortes já registrados na história.
A previsão é que os efeitos se estendam até pelo menos fevereiro de 2027, com repercussões que se alastrarão por um longo período.


