Flávio Bolsonaro: A ascensão e queda do candidato
Flávio Bolsonaro, que em um esforço titânico levou dez meses para convencer o eleitorado a votar nele com quase 60 milhões de votos, viu suas esperanças ruírem em uma impressionante reviravolta em apenas 72 horas.
Após anunciar sua derrota nas urnas com Lula, sua resposta não foi a de aceitar os resultados, mas sim a rejeição. O político propôs uma ação judicial para anular os resultados, alegando fraude sem que apresentasse qualquer evidência sólida. Em um dramático vídeo, ele se autointitulou “líder da oposição”, um título que parece não refletir a confiança do povo.
O desespero de Flávio o levou a queimar sua principal conquista política: os quase 60 milhões de votos. Sua decisão de fugir para os Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump, visava evitar os efeitos das investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro durante seu tempo como senador. Ele está sob escrutínio, especialmente em relação aos 61 milhões de reais que ele admitiu ter recebido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Na quarta-feira, Flávio se juntou a milhões de outros residentes em Miami, desembarcando em um jato particular e divulgando uma carta instigante para o povo brasileiro e a comunidade internacional. Autodenominando-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, utilizou um brasão que remeteu a uma época antiga, mas que acabou corrigindo, demonstrando um grau notável de confusão.
A carta passou por várias reedições, nas quais Flávio destituiu, alterou e decidiu mudar seus próprios títulos, fazendo com que parecesse perder a própria identidade política. O conteúdo da missiva, que continha conotações golpistas, deixou Flávio ainda mais isolado. Aliados começaram a se distanciar, publicamente reconhecendo a vitória de Lula e rebatendo suas alegações infundadas sobre fraudes eleitorais.
Flávio Bolsonaro pode ser lembrado na história não como o herói que muitos esperavam, mas como o político que ficou em silêncio e encolheu, apenas três dias após receber uma montanha de votos. Seu enredo cômico e a narrativa de um governo em um lugar tão distante das suas ações políticas se tornaram incomuns e um tanto tristes. A ironia do “governo legítimo” de um país que rejeitou sua liderança, se patenteará nas páginas de humor político, onde Miami se tornou a sua provisória capital a 6 mil km das urnas que não reconhece.
Por fim, ele mesmo disponibilizou aos interessados uma “Certidão de Exilado Brazileiro”, que funciona como um curioso documento sem valor para a maioria das finalidades que um verdadeiro cidadão consideraria necessárias.,
Flávio Bolsonaro: Um episódio que certamente será debatido entre risos e reflexões sobre a política brasileira.

