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Homenagem a Dadá Figueiredo: Craque do Surf Brasileiro

Uma homenagem ao legado de Dadá Figueiredo no surf e sua influência no Brasil.

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Um Ícone nas Ondas

Nome de artilheiro, Dadá Figueiredo era uma verdadeira maravilha sobre a prancha. Seus aéreos pioneiros pureciam como se fossem feitos de sangue supersônico, uma eletricidade selvagem que apenas os grandes craques conhecem. Campeão carioca em 1989, ele extraía milagres até das marolas.

Quem teve o privilégio de assisti-lo cirandar nas quebradas da Barra e da Prainha, durante os anos 1980, jamais esquecerá seu estilo skatista que encantava a molecada. As influências de outros grandes nomes da época, como Pepê, Friedmann, Rico e Picuruta, contribuíram para que o surfe verde-amarelo brilhasse no cenário internacional.

Dadá tinha uma alma rebelde, no melhor dos sentidos. Ousava, gingava e inventava novas manobras que refletiam uma impetuosidade contracultural. Sua atuação como baixista na banda Os Normais também ressaltava seu espírito contestador, com críticas ao modelo dos campeonatos de surf. O surfista tijucano se preocupava pouco com a ascensão profissional, priorizando sempre a autonomia e a liberdade criativa. Surfar era sua verdadeira paixão.

Fiel ao apetite criativo, ele decidiu migrar para o freesurfe, onde foi eleito o melhor da modalidade em 1993. No último sábado, Dávio Correia Figueiredo faleceu, aos 61 anos, em decorrência de complicações de uma pneumonia. Seu legado, no entanto, permanece vivo, especialmente através de um de seus três filhos, que herdou tanto o nome quanto a dedicação ao esporte.

Legado e Talentos

As marcas deixadas por Dadá extrapolam as ondas e reforçam a relevância de cultivarmos imaginação, espírito crítico e ousadia em uma sociedade frequentemente marcada pelo pragmatismo. Essa autenticidade é um testemunho da vocação do Brasil e do Rio de Janeiro em fomentar jovens talentos no universo esportivo.

Recentemente, a ginástica brasileira viu seus atletas alcançarem destaque mundial, com Rebeca Andrade conquistando ouro e Flávia Saraiva, bronze, no Mundial de Ginástica. Ambas são representantes do Flamengo, assim como Lorrane Oliveira e Gabriela Bouças. A equipe feminina brasileira terminou em quinto lugar entre 82 seleções.

No entanto, o cenário do futebol apresenta um contraste. Dos 26 convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026, apenas sete jogam no Brasil, cinco deles no Rio de Janeiro. Embora o poderio econômico europeu seja inegável, é crucial melhorar a retenção e aproveitamento de talentos no Brasil. Esse desafio demanda ações que vão além da mera limitação de jogadores estrangeiros, envolvendo estímulos privados e apoio público.

A Reflexão Final

É fundamental que esse debate seja explorado em futuras colunas, reforçando a necessidade de um ecossistema que valorize e sustente nossos talentos esportivos.

Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós-graduação em Direito Desportivo da PUC-Rio. É doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial e formado em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação Estratégica no Esporte”

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