Por: Maria Eduarda Sá
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (29), em uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio de recursos públicos.
A apuração busca esclarecer se parte dos valores pagos a empresas de publicidade contratadas pelo tribunal era repassada a pessoas ligadas ao órgão, incluindo o próprio presidente.
Também são analisados contratos suspensos sob a justificativa de contenção de gastos, enquanto valores destinados a outras empresas teriam sido mantidos ou ampliados, além de possíveis irregularidades na escolha dos fornecedores e nas movimentações financeiras de servidores.
A suspensão de contratos é analisada como possível forma de pressionar fornecedores e favorecer determinadas empresas na liberação de recursos públicos.
A operação levou à prisão preventiva da secretária-executiva do TCE-MT, Roseli Loss, e do consultor jurídico-geral, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia. Segundo a investigação, a maior parte das retiradas era feita por ela, agência bancária localizada nas dependências do órgão.
Completam a lista o advogado Gustavo Fernandes da Silva e os servidores Adriangelo Barros Antunes e Felipe José Glinke. Não foi divulgada a participação de cada um no esquema.
Além das prisões, a decisão judicial determinou o afastamento de conselheiros do TCE-MT. Entre os nomes estão José Carlos Novelli, Guilherme Maluf e Alisson Alencar.
Entre janeiro e outubro de 2025, o TCE-MT depositou R$15,4 milhões nas contas do presidente, valor que excede sua remuneração oficial. No mesmo período, foram registrados cerca de 150 saques em dinheiro, que somaram R$15,6 milhões.
Do total de retiradas identificadas, parte foi realizada diretamente nos caixas bancários e outra parcela em terminais de autoatendimento.
Nomeada “Tomada de Contas”, a operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Durante as buscas, foram recolhidos carros de luxo, mais de 30 relógios, garrafas de vinho e dinheiro em espécie, incluindo reais, dólares e euros. A autorização para as buscas abrangeu documentos, contratos, notas fiscais, celulares e computadores.
O advogado Fernando Márcio Vareiro, que representa Sérgio Ricardo, Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito, que tramita sob sigilo.
Segundo ele, a orientação ao presidente do TCE-MT é permanecer em silêncio até conhecer os fundamentos da prisão.
A assessoria do tribunal informou que não se manifestaria sobre o caso.


