O fenômeno dos K-Dramas no Brasil
Uma série termina, outra começa — e, entre um episódio e outro, amizades se formam do outro lado da tela. O sucesso dos k-dramas, como são chamadas as séries sul-coreanas, ganhou projeção internacional com produções como Round 6, que se tornou a série mais assistida da história da Netflix ao levar uma história ambientada na Coreia do Sul a espectadores do mundo inteiro.
No Rio de Janeiro, a paixão pelo gênero também se traduz em comunidades de fãs que compartilham indicações, teorias e horas de conversa, até que a relação virtual transborde para a vida real. Em setembro, durante o Rock in Rio, a Reunião Dorameiras, que reúne 75.000 seguidores no Instagram, promoveu seu primeiro encontro presencial no dia dedicado às apresentações de k-pop. “Foi muito emocionante porque a gente já se conhecia há anos e vinha mantendo contato diário”, conta Suane Ronda, de 33 anos, uma das três administradoras da página.
A Hallyu e sua Expansão Cultural
A febre das séries é uma das faces da hallyu, a onda de expansão internacional da cultura sul-coreana, que ganhou força no Brasil sobretudo a partir da pandemia. “A proximidade dos brasileiros com a linguagem melodramática e a abertura para a circulação de produções estrangeiras são fatores que ajudaram a popularizar esse formato”, observa Daniela Mazur, pesquisadora da UFF e especialista em estudos da hallyu.
Criadora do perfil Psicodorama, com mais de 130 000 seguidores, a psicanalista Carol Prota combina o amor pelas produções com conteúdos sobre saúde mental para as “dorameiras”. As conversas que começaram nas redes chegaram ao divã, contribuindo para a formação de laços e consultas. Agora, ela se prepara para atravessar o mundo e conhecer a cultura pela qual é apaixonada.
Intercâmbio Cultural e Eventos
O interesse pela Coreia do Sul já não cabe na tela, e a onda cultural movimenta negócios e aproxima mercados. Em outubro, a programação do RioMarket, área de negócios do Festival do Rio, privilegiou o intercâmbio entre profissionais brasileiros e coreanos. “O Brasil é um dos países que mais consome conteúdos coreanos no mundo. Temos muito a aprender com eles”, explica Walkiria Barbosa, diretora-geral do evento.
Em maio, a K-Content Biz Week Brazil reuniu grandes nomes do mercado de k-dramas no hotel Windsor Marapendi, na Barra, para estreitar os laços entre empresas dos dois países.
Gastronomia e Cultura Coreana no Rio
Da música à mesa, a cultura coreana vem conquistando espaço no calendário e nos hábitos cariocas. Em outubro, o Festival Sabores e Luzes da Coreia lotou o Shopping Uptown, na Barra, com música, gastronomia e dança, provocando congestionamentos na entrada do evento. Carol Prota e Suane Ronda estiveram lá, provando doces típicos.
Recentemente, o Banchan, em Botafogo, abriu com mesas equipadas com churrasqueiras a carvão, como vistas em diversos k-dramas. “Em menos de cinco dias, as reservas para o resto do ano se esgotaram”, relata o restaurateur Marco Espinoza. No Ryu, os fãs das séries de TV representam cerca de 30% do público, segundo a chef Clara Shin, com uma proposta diversificada.
Apesar da distância entre Seul e Rio, a hallyu parece ter vindo para ficar — e encantar — os cariocas.
K-Dramas Recomendados para Assistir
- Se a Vida Te Der Tangerinas… (2025): Aventuras na ilha de Jeju com IU e Park Bo-gum.
- Beleza Verdadeira (2020): A luta de uma jovem com inseguranças em relação a sua aparência.
- Alquimia das Almas (2022): Uma fantasia histórica que mistura almas e destino.
- Round 6 (2021): Um jogo mortal de sobrevivência e suas consequências.


