Brasil

Mulheres com Deficiência Sofrem Mais Com Violência Doméstica

Pesquisa Revela Aumento da Violência em Mulheres com Deficiência

Dados recentes do DataSenado indicam que mulheres com deficiência no Brasil enfrentam uma taxa alarmante de violência doméstica, superando em muito suas contrapartes sem deficiência. Com 38% de incidência, o número de mulheres afetadas totaliza mais de 4,4 milhões, enquanto para as mulheres sem deficiência esse índice é de 28%.

A pesquisa, divulgada em 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, destaca que 69% das mulheres com deficiência que relataram ter sofrido violência nos últimos 12 meses indicaram que essa situação se arrasta por mais de um ano.

Isso representa 15 pontos percentuais a mais do que a média geral da população feminina, que é de 54%.

Dados e Desafios no Combate à Violência

Este levantamento faz parte da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV). A coleta foi feita através de entrevistas telefônicas com 21.641 mulheres, das quais 2.828 se autodeclararam com deficiência, estimando assim a realidade de 11,7 milhões de mulheres nessa condição no Brasil.

A pesquisa revelou que as violências sexual e patrimonial são as mais comuns enfrentadas pelas mulheres com deficiência. Enquanto 39% reportaram abuso sexual, apenas 28% das mulheres sem deficiência enfrentaram o mesmo problema. A violência patrimonial também foi significativa, atingindo 46% das mulheres com deficiência em comparação a 39% das demais.

Fatores de Vulnerabilidade e Falta de Informação

A situação se agrava com a vulnerabilidade econômica, onde 78% das mulheres com deficiência não têm uma fonte de renda e 48% não conseguem se sustentar financeiramente. Além disso, a escolaridade é um fator limitante, com 11% tendo concluído o ensino superior e 10% se declarando analfabetas.

Em termos de raça, 55% das entrevistadas se identificaram como pretas, pardas ou indígenas, refletindo a interseccionalidade das questões de raça e deficiência.

A falta de informação é um desafio significativo: 18% afirmaram não ter conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, o que é o dobro da média entre as mulheres sem deficiência.

Encerrando, 83% das mulheres com deficiência não denunciaram a violência sofrida, e apenas 44% entraram com pedidos de medida protetiva de urgência, com 19% desses casos tendo ordens descumpridas pelos agressores. O medo do agressor e a falta de confiança na punição são as principais razões para a inação.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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