Política

AGU Move Ação no STF Para Remover Marco Buzzi do STJ

AGU Aciona STF para Exclusão de Marco Buzzi

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 21, solicitando que Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, atual ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), seja afastado de seu cargo.

O pedido inclui a suspensão imediata de seus pagamentos salariais até a conclusão do processo que investiga as acusações de assédio sexual que pesam contra ele. O caso será analisado pelo STF, que decidirá se a condenação é definitiva.

Marco Buzzi foi condenado em agosto pelo STJ à perda do cargo, e desde então está afastado de suas funções. Diariamente, ele continua a receber uma remuneração proporcional ao tempo de serviço, uma situação que a AGU considera inaceitável sob as circunstâncias.

Circunstâncias do Caso

O pedido da AGU para que o STF apresente uma decisão sobre a perda do cargo é justificado pela necessidade de preservar a identidade das vítimas e garantir a integridade do processo sob uma perspectiva de gênero.

Essa é a primeira iniciativa da AGU nesse sentido desde que mudanças no regimento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) restrigiram as punições disponíveis para magistrados condenados.

As novas diretrizes estipulam que a punição mais severa é a disponibilização com proposta de perda do cargo. Assim, ao ser condenado em um processo administrativo disciplinar, o juiz é afastado imediatamente e recebe somente uma fração de seus salários.

Este mecanismo foi acionado no caso de Buzzi, que está afastado desde fevereiro.

Denúncias Contra Buzzi

O processo disciplinar foi aberto após denúncias relacionadas a incidentes de assédio sexual. A primeira acusação envolve uma jovem de 18 anos, supostamente ocorrida em uma praia de Balneário Camboriú, em janeiro.

Uma segunda denuncia foi feita por uma ex-colaboradora que relatou toques indesejados e comentários inapropriados realizados pelo ministro entre 2023 e 2025.

Testemunhas no processo corroboraram essas acusações, referindo-se a episódios de agressão verbal e à tentativa de evitar contato próximo com Buzzi.

A defesa de Marco Buzzi refuta todas as alegações, argumentando que há evidências, como depoimentos e imagens de câmeras, que não corroboram as denúncias.

Alegam também que limitações físicas do ministro, como seu uso de bengala, invalidariam as acusações de importunação.

É um momento crítico para a imagem do Judiciário no Brasil, pois as implicações desse caso podem afetar a confiança pública nas instituições e suas lideranças.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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