Morre o Imortal Zuenir Ventura aos 95 Anos
O Brasil perdeu um de seus mais ilustres jornalistas, o imortal Zuenir Ventura, que faleceu nesta terça-feira (22) aos 95 anos em sua residência. O falecimento ocorreu pela manhã, confirmando-se posteriormente que a causa foi pneumonia, conforme comunicado da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Zuenir, uma figura emblemática na história do jornalismo brasileiro, deixa um legado imenso. Ele é lembrado não apenas por suas contribuições literárias, mas também por sua dedicação à família, deixando a esposa, Mary Ventura, e seus dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
Velório e Sepultamento
O corpo do respeitado escritor será velado nesta quarta-feira (23) na sede da ABL, no Rio de Janeiro. O sepultamento está programado para ocorrer no mausoléu da instituição, situado no Cemitério São João Batista, onde ele se juntará a outras grandes personalidades da literatura nacional.
A Trajetória de Zuenir Ventura
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir trilhou um caminho singular até se firmar na imprensa. Antes de se tornar um dos nomes mais respeitados do jornalismo, atuou em diversas funções, como pintor de parede e jogador de basquete. Sua trajetória foi guiada por grandes mentores da literatura, como Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima, e teve início na redação da “Tribuna da Imprensa”.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Zuenir escreveu reportagens e livros que se tornaram essenciais para a compreensão da história política e social do Brasil. Um de seus trabalhos mais marcantes, “1968 – o ano que não terminou”, influenciou não apenas a literatura, mas também a televisão, originando a minissérie “Os Anos Rebeldes”.
Reconhecimento e Prêmios
Seu notável trabalho incluiu a cobertura do assassinato de Chico Mendes em 1989, onde demonstrou coragem ao acolher Genésio, a principal testemunha do crime, protegendo-o até atingir a maioridade.
Em 1994, a publicação de “Cidade Partida” foi um divisor de águas, abordando as desigualdades sociais do Rio de Janeiro e ganhando o Prêmio Jabuti. Este livro tornou-se uma referência ao retratar a chacina de Vigário Geral e seus impactos profundos na sociedade carioca.
O legado de Zuenir Ventura permanece vivo, refletindo-se na coragem e no rigor ético que norteou sua atuação. Ele foi agraciado com dois dos mais prestigiosos prêmios do jornalismo brasileiro: o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog, consolidadando sua importância na história da imprensa.





