Na reta final das campanhas eleitorais, a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 revela semelhanças preocupantes com a situação enfrentada pelo ex-presente Jair Bolsonaro (PL) durante sua campanha pela reeleição em 2022. Este padrão é evidenciado pelos dados do Datafolha, que mostram uma percepção negativa significativa por parte do eleitorado.
Na mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada em 17 de setembro de 2026, 42% dos eleitores consideram o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto apenas 34% o avaliam como ótimo ou bom, com 23% optando pela avaliação regular. Isso resulta em um saldo negativo de 8 pontos percentuais, refletindo um descontentamento similar ao observado no mesmo período de 2022, quando Bolsonaro tinha uma avaliação negativa de 44% e positiva de 30%.
A comparação se torna ainda mais sutil ao analisarmos os números de 2026 em relação ao padrão estabelecido por Bolsonaro em 2022. Naquele ano, a diferença de 14 pontos negativos na avaliação não foi suficiente para garantir a reeleição. O Datafolha destaca que, enquanto Bolsonaro começou 2022 se recuperando de uma avaliação negativa de 53% no final de 2021, Lula, em contraste, apresenta uma trajetória de queda, com déficits de avaliação desde o início de 2025.
Bolsonaro, apesar de não ter conseguido ser reeleito, mostrou uma recuperação ao longo do ano de 2022. Lula, por sua vez, não conseguiu inverter a maré e até agora não conseguiu alcançar os percentuais de ótimo/bom superiores aos de ruim/péssimo.
A análise histórica do Datafolha revela a distinção entre as dificuldades enfrentadas pelos presidentes nas campanhas de reeleição neste século. Dilma Rousseff (PT), por exemplo, conseguiu renovar seu mandato em 2014, mesmo após a queda em sua popularidade devido às manifestações de junho de 2013. Em seu caso, a resposta positiva do eleitorado à administração era 13 pontos superior frente à negativa, enquanto Lula enfrenta um cenário mais desafiador, com uma avaliação que não dá espaço para manobras.
Os números de Lula estão longe do que foram em 2006, quando, apesar dos escândalos do mensalão, o presidente contava com um saldo positivo de 28 pontos em relação às avaliações, um contraste significativo ao que apresenta hoje a 17 dias do primeiro turno da sua campanha.
A reeleição, que se tornou uma possibilidade a partir de 1998, foi primeiro conquistada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que manteve um saldo positivo de avaliação que lhe garantiu a vitória em primeiro turno. Em sua campanha, a 16 dias da votação, ele contava com 41% de avaliação ótima/bom e um saldo de 23 pontos, demonstrando a importância de uma avaliação sólida para a conquista de um segundo mandato.
Com o desenrolar da campanha de 2026 e as comparações históricas, os desafios que Lula enfrenta se mostram não apenas de natureza política, mas também ligada à percepção pública, um fator crucial em qualquer corrida eleitoral. A trajetória de avaliação dos presidentes brasileiros destaca a importância de uma gestão que não apenas se mantenha ativa, mas que também seja percebida de maneira positiva pela população.





