Após as fortes chuvas acumuladas nas últimas semanas, a água da Lagoa de Barra Nova, localizada entre Cabo Frio e Arraial do Cabo encontrou uma passagem para o mar, na região da Praia do Foguete. A abertura de um canal na faixa de areia chamou a atenção de moradores e passou a ser acompanhada pelas prefeituras dos dois municípios, que buscam esclarecer se o escoamento ocorreu naturalmente ou por intervenção humana.
Em Cabo Frio, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Clima e Saneamento informou que está verificando a situação em conjunto com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O município recebeu denúncias de que a vala teria sido aberta por ação humana, provocando a redução do volume de água da lagoa e levantando preocupações sobre possíveis impactos ambientais.
Já a Prefeitura de Arraial do Cabo considera a possibilidade de uma abertura natural. Segundo o município, a lagoa passa periodicamente por esse processo para liberar o excesso de água acumulada, especialmente após períodos de chuvas intensas. Até o momento, não há confirmação de que a abertura tenha sido intencional.
O secretário de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Nogueira Dias, explicou que a ligação temporária entre lagoas e o oceano pode ocorrer naturalmente, mas também pode ser realizada de maneira controlada, desde que autorizada pelos órgãos competentes. “A abertura da barra para extravasar a água do seu interior pode ser feita naturalmente ou artificialmente, acompanhada por órgãos ambientais. Especificamente nesse caso, o Inea é o responsável direto”, explicou.
Apesar de permitir o escoamento do excesso de água, a abertura de canais sem avaliação técnica pode provocar desequilíbrios no ecossistema, incluindo riscos à fauna aquática e alterações na drenagem da região.
Jailton reforçou que qualquer intervenção precisa de autorização e acompanhamento técnico, inclusive para avaliar a quantidade de água que sai da lagoa e os possíveis efeitos da entrada de água do mar. “Tudo tem que ser feito com autorização. Pode ser naturalmente, pode ser artificialmente também, porque é uma região de drenagem”, destacou o secretário.
As equipes ambientais seguem acompanhando o local e verificando informações encaminhadas por moradores. Ainda não há conclusão técnica sobre a origem da abertura nem sobre a extensão dos possíveis impactos ambientais.


