Política

As principais pesquisas erraram em 2022 sobre Lula x Bolsonaro? Relembre números dos últimos levantamentos

As últimas pesquisas divulgadas antes do primeiro turno da eleição presidencial de 2022 tinham um ponto em comum: todas mostravam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Jair Bolsonaro (PL). A ordem dos dois principais candidatos se confirmou nas urnas. O tamanho da distância entre eles, porém, foi menor do que o indicado por Datafolha, Quaest, CNT/MDA e AtlasIntel.

Com 100% das seções totalizadas, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro terminou com 43,20%. A diferença efetiva foi de 5,23 pontos percentuais. Nos quatro levantamentos analisados, a distância entre os dois aparecia acima desse patamar.

Onde esteve a principal diferença entre pesquisas e urnas?

O contraste se concentrou principalmente no desempenho de Bolsonaro. Nos quatro levantamentos, o então presidente terminou a eleição com percentual superior ao registrado pelas pesquisas. Já o resultado de Lula ficou dentro da margem de erro de Datafolha, Quaest e CNT/MDA. No levantamento da AtlasIntel, que tinha margem de apenas um ponto percentual, os percentuais dos dois candidatos ficaram fora dos intervalos indicados pela pesquisa.

Isso não significa que uma pesquisa eleitoral funcione como uma previsão do resultado. Os levantamentos medem a intenção de voto no período em que as entrevistas são realizadas e estão sujeitos, entre outros fatores, à margem de erro e às diferenças metodológicas. A comparação com as urnas, no entanto, mostra que as quatro sondagens finais superestimaram a distância que separaria Lula e Bolsonaro.

Quanto o Datafolha indicava de vantagem para Lula?

O Datafolha divulgado em 1º de outubro, véspera da votação, mostrava Lula com 50% dos votos válidos e Bolsonaro com 36%. A vantagem era, portanto, de 14 pontos percentuais, quase nove pontos acima dos 5,23 pontos verificados nas urnas.

A margem de erro era de dois pontos percentuais. Com isso, Lula aparecia em um intervalo entre 48% e 52%, faixa que abrange os 48,43% obtidos no primeiro turno. Bolsonaro poderia variar de 34% a 38%, mas terminou com 43,20%, mais de cinco pontos acima do limite superior desse intervalo.

O que mostrava a última Quaest?

A Quaest também divulgou sua rodada final no dia 1º de outubro. Nos votos válidos, Lula tinha 49% e Bolsonaro, 38%, uma diferença de 11 pontos percentuais. O resultado das urnas reduziu essa distância a menos da metade: 5,23 pontos.

Com margem de erro de dois pontos, o percentual de Lula poderia variar de 47% a 51% e, portanto, incluía o resultado efetivo do petista. Bolsonaro aparecia entre 36% e 40%, mas recebeu 43,20% dos votos válidos. A diferença entre o ponto estimado pela Quaest para o então presidente e a votação final foi de 5,2 pontos percentuais.

Como ficou a comparação com a CNT/MDA?

Na última pesquisa CNT/MDA, Lula aparecia com 48,3% dos votos válidos e Bolsonaro, com 39,7%. A distância era de 8,6 pontos percentuais, contra os 5,23 pontos registrados na apuração.

O percentual atribuído a Lula ficou praticamente no mesmo patamar do resultado oficial, de 48,43%. Bolsonaro, por sua vez, recebeu 43,20%, 3,5 pontos acima dos 39,7% medidos pelo instituto. Com margem de erro de 2,2 pontos, o petista estava dentro do intervalo estimado pela pesquisa, enquanto o resultado do candidato do PL ficou acima dele.

E o que apontava a AtlasIntel?

A AtlasIntel registrou Lula com 50,3% dos votos válidos e Bolsonaro com 41,1% em seu levantamento da reta final. A distância entre os dois era de 9,2 pontos percentuais. 

A margem de erro do levantamento era de um ponto percentual. Isso colocava Lula entre 49,3% e 51,3% e Bolsonaro entre 40,1% e 42,1%. O resultado final deixou os dois fora desses intervalos. Entre os quatro levantamentos considerados, porém, a AtlasIntel registrava o maior percentual para Bolsonaro na véspera da votação.

Afinal, as pesquisas erraram?

O resultado depende do que se considera como parâmetro. Os quatro levantamentos identificaram corretamente Lula na primeira colocação e Bolsonaro na segunda. Também registraram percentuais para Lula relativamente próximos aos 48,43% obtidos pelo petista, especialmente no Datafolha, Quaest e CNT/MDA, em que o resultado ficou dentro das respectivas margens de erro.

A principal divergência apareceu na votação de Bolsonaro. O candidato do PL terminou com 43,20%, acima das estimativas centrais e também dos limites das margens de erro dos quatro levantamentos. Como consequência, todas as pesquisas mostraram uma distância entre Lula e Bolsonaro maior do que os 5,23 pontos percentuais que efetivamente separaram os dois candidatos no primeiro turno.

Como foram feitas as pesquisas?

O Datafolha ouviu 12.800 eleitores presencialmente em 310 municípios entre 30 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro era de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE era BR-00245/2022.

A Quaest entrevistou presencialmente 3.600 eleitores entre 30 de setembro e 1º de outubro, em 239 municípios. A margem de erro era de dois pontos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento foi registrado sob o número BR-02444/2022.

A CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas presencialmente entre 28 e 30 de setembro. A margem de erro era de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro era BR-02944/2022.

A AtlasIntel entrevistou 4.500 eleitores entre 28 e 30 de setembro. O levantamento tinha margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro BR-07338/2022.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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