Recorde de Denúncias de Assédio Eleitoral em 2026
O acirramento da polarização política no Brasil se traduz em um recorde alarmante de denúncias de assédio eleitoral neste ano, atingindo a marca de 3.754 registros até o dia 29 de outubro.
Esse número supera o total de 2022, que foi de 3.373 denúncias, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Em sua análise, o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, destacou uma particularidade nesta eleição em comparação com a anterior: o comportamento pós-eleitoral.
Entre a meia-noite do dia 26 de outubro e o meio-dia do dia 29, o MPT recebeu 1.459 denúncias relacionadas a assédio eleitoral.
Araújo de Oliveira enfatizou que trabalhadores que expressaram apoio a candidatos de esquerda, como Lula, em suas redes sociais enfrentaram retaliações, incluindo demissões.
“Aquele trabalhador que jogou nas redes sociais dele post do candidato Lula, esquerda, ou então post comemorando, conteúdos que possam relacioná-lo à opção da esquerda, esse trabalhador está sendo dispensado”, afirmou.
O que se nota é um retrocesso preocupante em um país que se diz democrático, onde o poder econômico ainda tenta influenciar a vontade popular e a escolha secreta do eleitor.
Ação Civil Pública Contra a Meta
Como resposta a esse cenário, o MPT ajuizou uma ação civil pública na Justiça do Trabalho contra a Meta, empresa-mãe do Instagram, Facebook e Threads.
O objetivo é que a empresa remova do ar, em até 24 horas, publicações que incitam empresários a demitir funcionários com base em suas preferências eleitorais.
Além disso, o MPT está exigindo uma indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.
A argumentação do Ministério Público é que a Meta possui sistemas automatizados que poderiam identificar e eliminar esse tipo de conteúdo prejudicial.
Araújo de Oliveira critica a disseminação de conteúdos discriminatórios nas redes sociais, que visam não apenas trabalhadores, mas todos que expressam suas opções políticas.
“Essa discriminação por convicção política é um retrocesso civilizatório”, disse ele.
Orientação aos Trabalhadores
O procurador destacou que qualquer trabalhador que sofrer esse tipo de assédio deve denunciar ao MPT.
Esse órgão atua para cessar a infração e garantir que os trabalhadores que foram demitidos em razão de assédio eleitoral possam buscar seus direitos na Justiça, seja por meio de sindicatos ou advogados trabalhistas.
Os trabalhadores têm a opção de pedir a reintegração ao emprego ou até mesmo uma indenização com base na Lei nº 9.029, que aborda a discriminação, além de proteger a Constituição contra atos discriminatórios.


