
Conselho Nacional de Justiça e a Nova Regulamentação
Na última terça-feira, dia 9, o conselheiro Fábio Esteves do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), anunciou que as plataformas de redes sociais serão oficialmente notificadas sobre a exigência de um aval específico para a publicação de conteúdos por influenciadores mirins. Esta medida visa garantir a proteção e o direito ao não trabalho de crianças e adolescentes que atuam nas mídias digitais.
Objetivos da Nova Proposta
O relatório apresentado por Esteves destaca a importância de estabelecer mecanismos que protejam os jovens influenciadores de exploração comercial indevida e de um fenômeno conhecido como adultização, onde interesses mercadológicos podem sobrepor-se aos direitos da infância e adolescência.
“A medida tem o objetivo de resguardar a dignidade de crianças e adolescentes, protegendo-os de condições de trabalho infantil digital exploratório”, afirmou o conselheiro.
ECA Digital: Um Marco Jurídico para a Proteção dos Jovens
A proposta é uma extensão do novo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que entrou em vigor em março e estabelece a necessidade de alvarás para a participação formal de menores em atividades remuneradas nas redes sociais e plataformas digitais.
O ECA Digital visa garantir uma infraestrutura legal que aborde questões de segurança online, proteção de dados, e responsabilização das plataformas por conteúdos prejudiciais.
Salvaguardas Para Menores Influenciadores
O CNJ prevê que juízes deverão instituir salvaguardas ao conceder alvarás, que considerarão uma série de fatores, incluindo:
- Características da atividade autorizada
- Carga de exposição do menor
- Idade e grau de desenvolvimento
- Necessidades específicas da criança ou adolescente
Possíveis medidas incluem:
- Limitação da frequência, duração e horários das atividades
- Proteção à saúde física e emocional
- Garantia de frequência escolar
- Restrições sobre a forma de divulgação
- Proteção da privacidade e dos dados pessoais
- Medidas de proteção patrimonial relacionadas aos rendimentos
Segurança Financeira para Jovens Influenciadores
A proposta também discute a criação de uma reserva patrimonial em conta ou investimento em nome da criança ou adolescente, com mecanismos de controle sobre a destinação dos rendimentos. Assim, busca-se evitar a exploração econômica indevida de menores.
Os alvarás terão um prazo máximo de 12 meses para crianças e 18 meses para adolescentes, com possibilidade de revisões a qualquer momento, conforme necessário pelos juízes. Além disso, será criado um banco nacional de alvarás para facilitar o acesso de órgãos de fiscalização como o Ministério Público às informações sobre a atividade desses jovens online.
Conclusão
A nova regulamentação representa um avanço significativo na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, promovendo uma estrutura mais segura e ética para sua participação nas mídias sociais.





