A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) identificou ao menos 21 contas no TikTok relacionadas ao comércio ilegal de carros clonados no Rio de Janeiro.
A instituição encontrou perfis que anunciam a venda de veículos de luxo por preços muito abaixo da média, além de utilizarem o aplicativo para contatar possíveis compradores.
Segundo a polícia, os anunciantes também usam os canais para receberem encomendas e praticarem os roubos de acordo com o interesse do comprador.
Em nota, o TikTok informou que deixa claro em suas Diretrizes da Comunidade que conteúdos que promovam crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens são proibidos (confira o texto na íntegra ao final da matéria).
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Em diversas publicações analisadas pelo G1, aparece o aviso “entrego dependendo da região – RJ”, com um ícone de bandeira vermelha ao lado do texto. A polícia afirma que o símbolo indica ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
O caso começou a ser investigado em maio do ano passado, quando a polícia acompanhou diferentes perfis utilizados para atividades desse tipo, como revela Thiago Neves Bezerra, delegado diretor da DRFA.
Ainda segundo Thiago, no geral os perfis ficam ativos por períodos curtos, entre 30 e 60 dias. Além disso, ele conta que, quando a polícia solicita a preservação dos dados para que possam apurá-los, o TikTok inicialmente bloqueia o perfil para depois banir a conta. Por isso, os investigadores relataram dificuldade em identificar quem está por trás dos perfis.
O delegado explica que os dados cadastrais enviados pela plataforma são, em alguns casos, vinculados a e-mails falsos ou aparecem em nome de pessoas que nem sabiam que seus dados estavam sendo usados.
“Por isso, a investigação não termina no perfil da rede social. É necessário seguir o caminho digital e financeiro da operação, cruzando contas, telefones, dispositivos, pagamentos e demais elementos que permitam chegar às pessoas que realmente integram a estrutura criminosa”, complementa.
A polícia também identificou o uso de telefones como chave Pix. Segundo Thiago, os números estavam ligados a membros do grupo classificados como “laranjas” e cadastrados em nome de terceiros, até mesmo de pessoas que moram em outro estado.
Em agosto deste ano, investigadores da Operação Sinal Oculto encontraram pagamentos feitos por contas de terceiros. De acordo com a polícia, os vendedores usavam as contas, com a conveniência de algumas pessoas, para dificultar a identificação de quem efetivamente estava por trás das vendas.
Com autorização judicial, a análise dos dados permitiu identificar os recebedores dos anunciantes e os compradores. Também em agosto, a DRFA-CAP deflagrou a Operação Sinal Oculto e, ao todo, foram expedidos 37 mandados de busca. Entre eles, 11 tiveram resultados positivos, com apreensões. Além disso, foi expedido e cumprido um mandado de prisão e outras duas pessoas ainda foram presas em flagrante.
19 telefones celulares, oito máquinas de cartão, sete rádios comunicadores, três veículos, dois simulacros de fuzil, sete munições, dois pen drives e outros itens estavam entre os materiais apreendidos. Durante a deflagração e o andamento da operação, foram feitos 17 Registros de Ocorrência pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a DRFA-CAP, aparelhos telefônicos apreendidos por ordem judicial estão sendo analisados por uma perícia técnica. Após essa etapa, os dados serão analisados por equipes de investigação e a expectativa é que o conteúdo dos dispositivos ajude a esclarecer a estrutura utilizada pelos envolvidos e a relação entre os perfis, vendedores, compradores, contas utilizadas para pagamentos e demais integrantes do grupo investigado.
O TikTok informa que os perfis foram removidos por violarem as políticas de comportamento da plataforma.
“O TikTok deixa claro nas suas Diretrizes da Comunidade que não permite conteúdos que promovam crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens. Sendo proibido na plataforma:
Promover roubo ou destruição de propriedade;
Compartilhar instruções sobre como cometer crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou propriedade.
Nosso sistema de moderação atua de forma contínua e, mesmo sem denúncias, retira automaticamente conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade.
No Centro de Transparência, publicamos trimestralmente relatórios de moderação. O mais recente, referente ao primeiro trimestre de 2026, aponta que 99,7% dos vídeos que violaram nossas políticas de segurança e civilidade, que incluem nossas regras sobre comportamento criminoso, foram removidos proativamente, antes de qualquer denúncia. O mesmo relatório aponta que 92,6% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre o tema foram removidos antes de qualquer visualização”, comunica a nota.
O caso foi noticiado pelo G1.





