Brasil

Censo 2022 Revela Desigualdades em Moradia para Deficientes

Desigualdades em Condições de Moradia

Pessoas com deficiência no Brasil enfrentam condições de moradia significativamente piores do que aquelas sem deficiência, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Este levantamento, que utiliza informações do Censo Demográfico de 2022 e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais, destaca a profunda desigualdade no acesso a moradia digna, saneamento básico e mobilidade urbana.

O estudo revela que, dos 16,4 milhões de residentes em favelas e comunidades urbanas, aproximadamente 1,25 milhão são pessoas com deficiência. Ademais, apenas 56,6% dessas pessoas têm acesso simultâneo a esgoto sanitário, água potável e coleta de lixo, uma taxa inferior à de 60,2% observada entre a população geral sem deficiência.

Dificuldades no Acesso a Serviços e Tecnologias

O acesso a bens e serviços dentro das residências também evidencia disparidades. Cerca de 60,4% das pessoas com deficiência possuem máquina de lavar, enquanto esse número atinge 68,9% entre a população sem deficiência. A conectividade com a Internet é igualmente alarmante: apenas 78,9% dos lares com pessoas com deficiência têm acesso à Internet, em comparação a 90,2% entre seus pares sem deficiência.

Infraestrutura e Mobilidade Urbana

A infraestrutura ao redor das residências é igualmente precária. De acordo com a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, 67,4% das pessoas com deficiência residem em áreas onde as calçadas apresentam obstáculos. Embora 83,4% tenham acesso a calçadas, apenas 12,9% vivem em regiões com rampas para cadeirantes. Essa situação é ainda mais crítica nas regiões Nordeste e Norte.

No que diz respeito à mobilidade urbana, as pessoas com deficiência gastam, em média, 12% mais tempo para chegar ao trabalho do que as que não têm deficiência. O transporte coletivo mais utilizado é o ônibus, enquanto o deslocamento a pé e de bicicleta é mais prevalente entre eles, complicando ainda mais sua rotina diária.

Desigualdade Racial e de Gênero na Mobilidade

A análise por cor ou raça também revela desigualdades. Mulheres pretas ou pardas com deficiência apresentam maior dificuldade nos deslocamentos, com 16,5% gastando mais de uma hora no trajeto casa-trabalho, um índice preocupante se comparado a outros grupos da pesquisa.

Esses dados não apenas evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à inclusão e acessibilidade, mas também reforçam a importância do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que é uma data significativa para a conscientização sobre estas questões.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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