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Crise de moradia leva milhares às ruas após derrota de Sánchez na Espanha

Dezenas de milhares de pessoas protestaram neste sábado, 3, em cidades da Espanha contra os altos aluguéis e as dificuldades de acesso à moradia, um dia depois de o Congresso rejeitar medidas emergenciais propostas pelo governo de Pedro Sánchez. Em Madri, a delegação do governo estimou 70 mil participantes, enquanto os organizadores calcularam 500 mil. Os manifestantes reivindicam redução dos aluguéis e proteção contra despejos.

A mobilização já estava marcada antes da votação, mas a derrota parlamentar acrescentou pressão sobre o primeiro-ministro. O primeiro decreto foi rejeitado por 178 votos a 172 e previa suspender despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, prorrogar por dois anos contratos com vencimento antes de 2028, elevar impostos sobre apartamentos turísticos e restringir a compra de imóveis residenciais por fundos de investimento. O segundo, que previa renovação automática de contratos de aluguel, recebeu 184 votos contrários e 166 favoráveis.

Sem maioria no Congresso, a coalizão do Partido Socialista, de Sánchez, com o Sumar dependia de outras legendas para aprovar as medidas. Partido Popular, Vox e Junts se posicionaram contra as propostas. A rejeição impediu o governo de manter as proteções previstas nos decretos.

O encarecimento dos imóveis ajuda a explicar a insatisfação. Os preços de compra de moradias subiram 12,2% no segundo trimestre de 2026 em comparação com igual período do ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística da Espanha. Os imóveis usados ficaram 12,9% mais caros, enquanto os novos tiveram alta de 7,4%. Na comparação com os três primeiros meses do ano, o aumento geral foi de 3,4%. O indicador acompanha preços de venda, não de aluguel.

No mercado de locação, os preços anunciados avançaram 8,5% em 2025, segundo levantamento da plataforma imobiliária Idealista citado pela AFP. Em Madri, a alta foi de 9,7%. As reivindicações dos manifestantes incluem restrições ao uso turístico de apartamentos e à atuação de fundos de investimento no mercado residencial.

O despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, tornou-se um dos símbolos dos protestos. A aposentada foi retirada do apartamento onde vivia havia sete décadas depois que a empresa proprietária tentou aumentar seu aluguel em 275%, segundo a AFP. A companhia negociou posteriormente seu retorno por um valor mais baixo, mas as manifestações continuaram.

Neste sábado, a porta-voz do Sindicato de Inquilinas, Valeria Racu, afirmou que a entidade está em contato com sindicatos de trabalhadores para tentar convocar uma greve geral. Em Barcelona, a manifestação prevista para a tarde foi adiada para segunda-feira por causa da previsão de fortes chuvas, informou a emissora pública RTVE.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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