Acordo Surpreendente entre Defesa e Flávio Bolsonaro
O advogado do senador Flávio Bolsonaro (PL), Tracy Reinaldet, afirmou em entrevista à CNN nesta quarta-feira (28) que houve um acordo prévio para a entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF), conforme a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo Reinaldet, o entendimento foi discutido em uma reunião técnica do processo. Ele relatou que o combinado era que ele passaria na residência do senador na terça-feira (27), último dia para cumprimento da ordem, a fim de coletar os documentos e entregá-los à PF.
“Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o país. A gente debateu as questões técnicas do processo, mas essa possibilidade de deixar o país não foi ventilada”, destacou à CNN.
O advogado expressou sua surpresa ao saber que o senador havia viajado para os Estados Unidos, afirmando que teve conhecimento da viagem exclusivamente pela imprensa. “Eu estou no mesmo nível de conhecimento dos senhores”, declarou sobre a situação.
Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado a entregar seu passaporte brasileiro e documentos relacionados a outras nacionalidades, com imposição de que não poderia deixar o Brasil.
No entanto, desconsiderando a determinação de Moraes, no dia seguinte, o senador embarcou para os Estados Unidos sem apresentar os documentos exigidos. A defesa argumenta que não havia necessidade de desrespeitar a medida cautelar, uma vez que o banco Santander, que mantém a conta investigada, teria fornecido informações que contestariam as suspeitas levantadas pela PF.
“O banco afirma que o senador não usava essa conta e que não houve nenhuma transferência bancária para Flávio”, afirmou Reinaldet.
O processo tramita no STF devido ao foro por prerrogativa de função do senador e investiga as suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a Flávio e Willer Tomaz, um advogado comprometido na mesma investigação. A PF está de olho em movimentações financeiras suspeitas de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, que são consideradas incompatíveis com as atividades conhecidas do senador.
A investigação também inclui possíveis irregularidades relacionadas a apostas esportivas e fraudes em licitação, além de outras questões relacionadas a uma casa lotérica no Rio de Janeiro. O advogado Willer Tomaz, que reside atualmente nos Estados Unidos, já havia sido alvo da Operação Sem Desconto, que averiguou irregularidades no INSS.
Reinaldet mencionou que ainda não teve contato com Flávio desde sua saída do país e que os próximos passos da defesa ainda não foram definidos.


