Déficit Primário nas Contas Públicas
As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, conforme revelado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 29. Este fenômeno ocorre quando as receitas provenientes de tributos e impostos não conseguem cobrir as despesas do governo.
O déficit primário não inclui o pagamento de juros da dívida pública, abrangendo o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Na comparação com setembro do ano anterior, houve uma melhora significativa, visto que no mesmo mês de 2025, foi registrado um saldo negativo de R$ 17,5 bilhões.
Resultados Financeiros do Setor Público
O endividamento do setor público permanece estável em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando um total de R$ 11,11 trilhões. Este é o maior nível registrado em cinco anos e meio, refletindo as consequências da má gestão financeira e do aumento dos gastos públicos.
O desempenho das contas em setembro de 2026 se desenha da seguinte maneira: o governo federal teve um saldo positivo de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios enfrentaram um déficit de R$ 5,6 bilhões. Além disso, as empresas estatais sofreram um déficit de R$ 3,4 bilhões.
Acumulado e Metas Fiscais
No acumulado dos primeiros nove meses deste ano, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB.
Esta situação representa uma deterioração em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit era de R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB).
Para 2026, o governo estabeleceu uma meta de que o saldo das contas não ultrapasse 0,25% do PIB. Essa meta possui um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que o governo alcance um superávit de R$ 68,6 bilhões.
Juros da Dívida e Perspectivas Futuras
Quando incluídos os juros da dívida pública, o déficit nominal das contas do setor público em setembro chegou a R$ 113 bilhões. O resultado negativo acumulado nos últimos 12 meses atingiu R$ 1,28 trilhão, representando 9,51% do PIB.
O acompanhamento desse índice é crucial para as agências de classificação de risco e investidores, uma vez que impacta diretamente a percepção sobre a saúde econômica do país.
Para contornar o aumento da dívida, o governo implementou o novo arcabouço fiscal em 2023, estabelecendo regras mais rígidas para as contas públicas e limitando os gastos.
Diante deste cenário desafiador e crescente, a equipe econômica do governo Lula já deixou claro que novas medidas devem ser adotadas para conter a expansão da dívida no próximo mandato que se inicia em 2027.


