Um desastre que revela fragilidades antigas
Na noite de quarta-feira, a Venezuela foi abalada por umduplo terremoto, que expôs de forma dramática a precariedade crônica enfrentada pelo país sob a administração do chavismo. O impacto não se limitou apenas à devastação física, mas também a uma crise humanitária em um sistema de resgates pouco preparado e uma infraestrutura fragilizada, que somam décadas de negligência governamental.
Desespero nas Ruínas
As imagens do terremoto são aterrorizantes, refletindo um cenário de desespero e desamparo. Mesmo com os números oficiais, muitos venezuelanos sentem que a realidade é muito mais grave, com umsite criado pela população para rastrear desaparecidos já apontando mais de 40 mil pessoas sem notícias.
Um testemunho impactante
A jornalista Gabriela Mejones Rojo relatou ao jornal espanhol El País sobre a dificuldade de obter informações em meio a um sistema de comunicação controlado. “Não sabíamos quantos prédios haviam desabado ou quantas vidas foram perdidas”, declarou, destacando a censura e os bloqueios que dificultaram a busca por parentes desaparecidos.
Uma Transição Política Complicada
O terremoto lança uma nova sombra sobre a transição política liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez, no poder desde janeiro, e sob supervisão do governo americano após a queda de Nicolás Maduro. Sob a retórica de “país feliz”, prometida por Donald Trump, a realidade é bem diferente para os cerca de 68% dos venezuelanos que vivem em condições de extrema pobreza.
Desafios Crônicos
O cenário é agravado pela inflação anual recorde de 524%, a maior do mundo, e uma dívida de US$ 240 bilhões, que equivale a 180% do PIB, segundo dados do FMI. O Estado, já disfuncional, foi exposto nos primeiros dias de resgate, revelando uma infraestrutura deteriorada: apagões elétricos constantes, falta de água e escassez de insumos médicos eram problemas crônicos antes do terremoto.
A responsabilidade do Estado
O economista Omar Zambrano destacou em sua análise na rede X que, apesar de o terremoto não ser previsível, a falta de preparação era evidente. “A gestão de riscos e a resposta a emergências são inexistentes em um Estado que não possui capacidades mínimas”, afirmou. Isso se reflete diretamente na vida dos cidadãos, todos afetados pela incapacidade do governo atormentar.
A Crise da Saúde
A situação nos hospitais também é alarmante. Há três dias, a Federação Médica Venezuelana exigiu esclarecimentos sobre 71 toneladas de medicamentos enviadas pelos EUA, que nunca chegaram a seus destinos. Com cerca de 90% dos hospitais em estado crítico de abandonos e desabastecimento, a tarefa de atender as vítimas do terremoto será monumental.




