Aos 73 anos, Gisèle Pelicot virou novamente o rosto de uma campanha de conscientização na França sobre casos de violência sexual cometidos após a vítima ser dopada. A iniciativa foi lançada nesta semana pela associação M’endors Pas, fundada por Caroline Darian, 47, filha de Gisèle, e está sendo exibida na televisão, nas redes sociais, na imprensa e em cartazes espalhados pelo país.
A campanha busca alcançar pessoas que suspeitam ter sido vítimas de abuso após serem drogadas, inclusive aquelas que não conseguem se lembrar do que aconteceu. Em um dos vídeos, Gisèle aparece incentivando possíveis vítimas a procurar o CRAFS, centro especializado em agressões facilitadas por substâncias, ligado ao sistema público de hospitais universitários de Paris. A mensagem também chama atenção para o fato de que, segundo os dados apresentados na campanha, em 75% dos casos de violência sexual cometida sob efeito de drogas o agressor é alguém próximo, como um familiar ou amigo.
“Quando você lança uma campanha dessa magnitude, ter o apoio da minha mãe transmite uma mensagem muito poderosa. É também uma mensagem de esperança para as vítimas, mostrando que é possível se reerguer”, afirmou Darian, que acredita ter sido drogada e agredida por seu pai e ex-marido de Gisèle, Dominique Pelicot.
O caso de Gisèle ganhou repercussão mundial depois que ela descobriu que Dominique a havia dopado durante anos e convidado outros homens para abusar sexualmente dela enquanto estava inconsciente. Em 2024, Dominique foi condenado a 20 anos de prisão, e outros 50 homens foram considerados culpados por crimes sexuais relacionados ao caso. Após a publicação de seu livro Um Hino à Vida: A Vergonha Tem Que Mudar de Lado no início deste ano, Pelicot disse: “A vergonha gruda em você, gruda na sua pele. E essa vergonha é uma sentença dupla, é um sofrimento que você inflige a si mesmo”.
A nova campanha é mais um desdobramento da mobilização iniciada após o julgamento, que ajudou a ampliar a discussão sobre a chamada submissão química na França. Em 2024, organizações que atendem mulheres vítimas de violência já haviam relatado aumento nas denúncias de casos suspeitos após a repercussão do caso Pelicot.
“Estamos progredindo, mas a luta está longe de terminar. A mensagem que queremos transmitir é que, se você tiver alguma dúvida, precisa investigar. Só porque você não se lembra de algo, não significa que não haja vestígios disso”, disse Caroline Darian.
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