Prisão de Márcio Canella e a Operação Unha e Carne
O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, foi preso na manhã desta quinta-feira (15) durante a Operação Unha e Carne 8, realizada pela Polícia Federal. Ele, que é o segundo deputado mais votado nas últimas eleições no Rio de Janeiro, é acusado de diversos crimes, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e formação de cartel. Os investigadores o apontam como o principal articulador de uma organização criminosa que utilizava postos de combustíveis na Região Metropolitana para lavar dinheiro.
A defesa de Canella, que já havia enfrentado problemas legais anteriormente ao ser preso na 6ª etapa da operação em julho de 2026, afirmou que se pronunciará apenas após ter acesso completo aos autos do processo.
Desdobramentos da Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne, que teve início em dezembro de 2025, visa investigar as conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no estado. Hoje, a ação cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em várias cidades, incluindo Rio de Janeiro, Niterói e Angra dos Reis. A operação é um desdobramento do trabalho investigativo que levou à 6ª etapa, quando Canella foi alvo de buscas relacionadas a um esquema envolvendo 96 postos de combustível que movimentaram, em seis anos, impressionantes 7,6 bilhões de reais.
A prisão de Canella se tornou ainda mais complexa quando a polícia encontrou um fuzil calibre .556 em seu veículo, o que elevou o nível de suas acusações. Em um episódio separado, o vereador Jorge Canella, membro do mesmo partido, também teve sua prisão decretada por posse irregular de armas, embora não tenha parente próximo do ex-prefeito.
Histórico da Operação Unha e Carne
A primeira etapa da Operação Unha e Carne focou no ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que foi cassado e preso na terceira fase da operação. Ele é acusado de vazar informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun, cujo alvo era o Comando Vermelho. Além disso, essa investigação levou à prisão de outros políticos, como o deputado Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio, evidenciando uma rede de corrupção que permeia diversas instâncias do governo.
As recentes prisões e as ações da Polícia Federal revelam a seriedade da luta contra a corrupção no Brasil, mas também levantam questões sobre o impacto político dessas operações. O futuro de Márcio Canella e de outros envolvidos ainda é incerto, mas os desdobramentos prometem ser significativos no cenário político fluminense.

