São ótimos os argumentos para bebericar vinho branco por essas bandas: calor em boa parte do ano, muitas mesas em varandas de restaurantes, peixes e frutos do mar que chegam frescos às cozinhas…
Não à toa, o estilo vem ganhando espaço no país: entre os importados, sua participação passou de 18% em 2021 para 24% em 2024, segundo a Ideal BI.
Nesse movimento, um nome em especial se destaca. As vendas de Chablis, vinhos com uvas Chardonnay produzidos na região francesa de mesmo nome, cresceram 70% em volume no Brasil nos últimos dois anos.
O curioso é que ele está longe de ser uma pechincha. Num restaurante, a garrafa dificilmente sai por menos de 300 reais.
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Como, então, se tornou uma pedida frequente? Para o especialista Marcelo Copello, colunista de VEJA RIO, o avanço dos brancos começou dentro de casa: na pandemia, mais gente passou a consumi-los e explorar novos estilos.
Com a volta dos encontros, o paladar encontrou mesas ao ar livre, onde o frescor cai especialmente bem.
“Estranho era a gente não beber tanto vinho branco antes”, pontua. Copello aponta outro ingrediente desse sucesso: o nome é fácil de guardar, e a origem francesa, na Borgonha, desperta interesse.
Tem quem ache chique degustar um Chablis sem saber que está bebendo um Chardonnay”, completa.
O interesse por essa categoria avança em ritmo ainda mais rápido do que a afeição pelo brancos em geral. Na distribuidora WoodsWine, o segmento passou de 27% do total vendido em 2024 para 34% nos primeiros sete meses de 2026.
Nesse intervalo, a participação dos rótulos da região francesa saltou de 30,2% para 39,2%.
O tíquete médio dos brancos, não especificamente dos Chablis, também subiu: Foi de 150,15 para 166,04 reais.
Para Manuela Porto, diretora de experiências da empresa, os números revelam mais do que uma preferência passageira. “Estamos diante de uma mudança no gosto, na percepção de valor e no repertório do consumidor”, observa.
Na Víssimo, dona da Grand Cru e da Evino, as vendas desse vinho francês cresceram quase 50% em número de garrafas de janeiro a agosto de 2026.
“Apesar do preço, o Chablis virou um nome que o consumidor brasileiro aprendeu a reconhecer e a pedir, do mesmo jeito que aprendeu Champagne ou Brunello di Montalcino”, diz o CEO da companhia, Antony Martins. “Ele é a porta de entrada da Borgonha branca”, enlaça.
Nas lojas, há garrafas a partir de 200 reais, enquanto os exemplares Premier Cru e Grand Cru podem facilmente ultrapassar 1 000 reais.
Diferentes mesas cariocas já se renderam à categoria da vez.
No Belisco, em Botafogo, a procura mudou o jeito de atender. “Os clientes já chegam sabendo o que querem”, conta a sommelière e sócia Gabi Teixeira.
Por lá, três opções, com preços um pouco Acima de 300 reais, mostram que a escolha pode ser questão de prioridade: “Sou adepta do beber menos, porém beber melhor. Muitos clientes pensam assim também”, resume.
No Mäska e no Rudä, restaurantes de Ipanema do Grupo Trëma, o sócio Joca Ururahy percebe uma procura maior desde março.
Para ele, a acidez característica da região e a facilidade de combiná-los com os pratos das casas ajudam a explicar o sucesso.
“Alguns produtores acabaram de chegar ao mercado brasileiro devido ao aumento da demanda”, conta.
Na Mamma Jamma, a aposta acompanha uma virada na carta: há cinco anos, os brancos representavam 10% das garrafas vendidas; hoje, são 25%.
Há três meses, a rede incluiu seu primeiro Chablis, o Madame Veuve Point 2025, cotado a 349 reais, o branco mais caro da seleção. Esse crescimento animou a pizzaria a adicionar um novo rótulo à coleção, um Chardonnay argentino, previsto para o verão.
O Chablis encontrou um público que já queria beber mais brancos, passou a reconhecer seu nome e agora aceita pagar mais para levá-lo à mesa. Tim-tim!
Modo de beber
Por trás do sucesso da categoria
O Chablis é um vinho branco bem seco, feito exclusivamente com uvas Chardonnay da região de mesmo nome, ao extremo norte da Borgonha, na França.
Petit Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e Chablis Grand Cru são as quatro classificações oficiais da bebida, numa escala relacionada à origem das uvas.
O Petit Chablis costuma ser a opção mais acessível e leve.
Já o Premier Cru e Grand Cru vêm de vinhedos delimitados. Em geral, oferecem mais complexidade e são mais caros.
A harmonização com ostras é clássica, já que a acidez e o frescor da bebida acompanham a salinidade do molusco.
Peixes, camarões, vieiras e outros frutos do mar também vão bem, sobretudo em preparos mais delicados
Fora do mar, vale experimentar com queijo de cabra.





