Últimas Notícias

Morte de cientista com suspeita de peste coloca 200 em quarentena na Rússia – Enfoco

Uma funcionária de 28 anos de um instituto de pesquisa contra a peste morreu após ser internada com um quadro grave de pneumonia na região de Irkutsk, na Sibéria, na Rússia. O caso levou as autoridades a colocar cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a mulher sob quarentena e mobilizou a chefe do órgão russo de vigilância sanitária, Anna Popova, que viajou às pressas para a região.

Identificada por veículos locais como Darya Shipilova, a mulher trabalhava no Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, voltado ao estudo e controle da doença. Ela teria apresentado sintomas durante uma expedição realizada com outros funcionários, perto da fronteira da Rússia com a Mongólia. Darya foi internada na cidade de Shelekhov na terça-feira (29), com sintomas de pneumonia grave, e morreu dois dias depois, na quinta-feira (1).

Pai é preso no Rio por abusar sexualmente do próprio filho

Acusado de matar comerciante de 75 anos em São Gonçalo é preso

Surto de sarampo faz Nova York decretar estado de emergência

As circunstâncias que levaram ao adoecimento ainda não foram esclarecidas. Relatos publicados por veículos locais apontaram que a funcionária teria contado a médicos que havia quebrado acidentalmente um tubo de ensaio com bactérias vivas enquanto coletava amostras. As autoridades russas, porém, afirmaram não ter encontrado evidências de qualquer acidente envolvendo o manuseio de agentes patogênicos no instituto.

O governo regional classificou a causa da morte como uma pneumonia de origem ainda desconhecida e afirmou que não há, até o momento, evidências de que a doença esteja relacionada ao trabalho da funcionária. O governador de Irkutsk, Igor Kobzev, também informou que nenhum novo caso entre funcionários do instituto havia sido registrado nos dias seguintes e que todos os contatos conhecidos de Darya foram identificados, examinados e colocados sob acompanhamento médico.

Como medida de precaução, cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a mulher foram colocadas em quarentena. Parte do hospital onde ela morreu foi isolada, enquanto funcionários de uma fábrica de alumínio da região receberam orientação para utilizar máscaras. Segundo informações divulgadas pelo órgão sanitário russo, dois contatos da vítima testaram positivo para Covid-19 e outros dois apresentaram rinovírus. Nenhuma outra doença infecciosa foi identificada entre as pessoas monitoradas.

A preocupação aumentou nas redes sociais diante da possibilidade de um caso de peste, doença causada pela bactéria Yersinia pestis. A peste é endêmica em áreas da Sibéria, onde a bactéria permanece presente entre pequenos mamíferos silvestres e suas pulgas. Apesar disso, casos entre seres humanos são considerados raros na Rússia, embora a doença ainda seja registrada em outras regiões do mundo, principalmente na África.

Uma das formas da doença é a peste pneumônica, que afeta os pulmões e pode ser transmitida por gotículas respiratórias expelidas por uma pessoa infectada. Quando identificada rapidamente, a infecção pode ser tratada com antibióticos. Sem tratamento, entretanto, pode evoluir de forma grave e levar à morte em um período de um a seis dias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, com base nas informações disponíveis, o risco à saúde pública para a população em geral parece baixo. A entidade afirmou que novas avaliações deverão ser realizadas conforme mais dados sobre o caso forem obtidos.

O episódio também chamou a atenção do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump classificou a morte como um problema para a Rússia e afirmou que Washington estaria disposto a ajudar. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos acompanham de perto a situação.

As autoridades russas, por sua vez, pediram que a população mantenha a calma e afirmaram que a situação está sob controle. Anna Popova participou de reuniões emergenciais em Irkutsk para coordenar as medidas adotadas após a morte da funcionária.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
Botão Voltar ao topo