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Saída de Netanyahu pode reduzir ritmo da violência em Gaza, avalia deputado israelense

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A possível saída de Benjamin Netanyahu do comando do governo de Israel pode abrir espaço para mudanças na condução do conflito na Faixa de Gaza, mas não representa, necessariamente, uma transformação na política do país em relação aos palestinos. A avaliação é do deputado Yoáv Goldring, integrante do Partido Comunista de Israel, em entrevista ao Brasil de Fato.

Segundo Goldring, a orientação sionista permanece presente inclusive entre os partidos que fazem oposição a Netanyahu. Na avaliação do parlamentar, essa característica dificulta a formação de uma aliança política capaz de retirar o atual primeiro-ministro do poder e promover mudanças mais profundas na questão palestina.

Oposição enfrenta dificuldades para formar maioria

As eleições gerais realizadas em Israel não deram maioria parlamentar a nenhum partido ou bloco político. Com isso, as legendas passaram a negociar alianças para conquistar os 61 assentos necessários no Knesset, o Parlamento israelense.

A oposição, liderada por Gadi Eisenkot, precisa considerar o apoio de partidos árabes para tentar formar um novo governo. Entretanto, Goldring aponta que a resistência de setores oposicionistas a uma aliança com representantes da população árabe é um dos principais obstáculos nas negociações.

O deputado também destacou o aumento da participação dos eleitores palestinos nas eleições. Segundo ele, o comparecimento passou de 38% para 70%, demonstrando maior mobilização política e interesse em participar do processo que pode determinar o futuro do governo Netanyahu.

Sionismo também influencia o discurso da oposição

Na entrevista, Goldring argumentou que a orientação sionista não está restrita ao atual governo. Segundo ele, partidos oposicionistas também defendem posições que preservam a estrutura política israelense e não representam, necessariamente, uma mudança na situação dos palestinos.

O parlamentar citou a postura de Gadi Eisenkot em relação à possibilidade de criação de um Estado palestino. Para Goldring, parte da oposição admite essa possibilidade, mas mantém o apoio à expansão de assentamentos israelenses, o que, em sua avaliação, limita a perspectiva de autodeterminação palestina.

Ele também diferenciou a política do atual governo, que classificou como alinhada ao projeto de uma “Grande Israel”, das posições de setores oposicionistas. Na avaliação do deputado, uma eventual mudança de primeiro-ministro poderia desacelerar a violência em Gaza, mas não significaria o fim das políticas de ocupação e expansão territorial.

Futuro político de Israel e situação em Gaza

Goldring considera que a derrota eleitoral de Netanyahu poderia representar uma mudança no cenário político israelense, mas alerta que a substituição do primeiro-ministro, isoladamente, não resolveria a crise palestina.

A entrevista ocorre em meio às negociações para a formação de um novo governo, após eleições nas quais nenhum bloco alcançou maioria no Parlamento. O resultado das articulações políticas deverá definir se Netanyahu permanecerá no poder ou será substituído por uma coalizão liderada pela oposição.

A avaliação apresentada pelo deputado reforça o debate sobre os limites de uma eventual mudança de governo e sobre a possibilidade de alterações efetivas na política israelense em relação à Faixa de Gaza e aos territórios palestinos.