O discurso de enfrentamento ao STF aproximou candidatos de diferentes correntes da direita e atraiu mais de 6 milhões de eleitores na região.
Por: Maria Eduarda Sá
Seis das oito vagas ao Senado no Centro-Oeste ficaram com o Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026. Nada menos que 6.201.563 milhões de eleitores da região apoiaram a principal pauta desse grupo: o enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o impeachment de Alexandre de Moraes.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, o maior símbolo desse enfrentamento, foi eleita com 938.496 votos. Bia Kicis, com 886.616 votos, concentrou o discurso no afastamento de Alexandre de Moraes e conseguiu se eleger também com a pauta bolsonarista.
Em Goiás, Gustavo Gayer foi o mais votado, com 1.639.105 votos. Aliado de Jair Bolsonaro, levou para a campanha a defesa de uma maioria de direita na Casa e, após eleito, afirmou que articularia o afastamento de Moraes. Gayer é um dos mais influentes bolsonaristas nas redes sociais e é citado, inclusive por políticos de outros estados.
Já em Mato Grosso, José Medeiros afirmou durante a campanha que trabalharia para Alexandre de Moraes ser preso. Com uma inesperada votação de 977.777 votos, fez da exoneração de ministros do Supremo uma das principais bandeiras e citou, além de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes entre os alvos da articulação no Senado.
A pauta garantiu a ele a eleição, embora tenha enfrentado algumas crises como o vazamento de áudios em que chamava seus eleitores de bebedores de detergente.
No Mato Grosso do Sul, o PL elegeu os dois senadores. Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, com 903.554 votos e 856.045 votos, respectivamente. Contar adotou um discurso mais ligado à direita e à segurança pública, enquanto Azambuja combinou a pauta do Supremo com demandas do estado.
