Investigações Revelam Práticas Abusivas
A Polícia Civil de São Paulo está à frente de uma apuração alarmante envolvendo um esquema suspeito de venda de dados sigilosos de pessoas falecidas para empresas funerárias. A operação visa desmantelar uma rede que utilizava informações obtidas ilegalmente para contatar familiares imediatamente após a morte de entes queridos, oferecendo serviços funerários a preços exorbitantes.
De acordo com os detalhes da investigação, os suspeitos acessavam ilegalmente informações sobre mortes recentes de várias fontes, incluindo hospitais particulares, o Instituto Médico Legal (IML) e o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Esses dados eram repassados para empresas do setor funerário que, em seguida, abordavam os enlutados com propostas de serviços que variavam de valores abusivos a práticas antiéticas.
Ação Coordenada e Resultados da Operação
Na segunda fase da Operação Luctus, a polícia executou 21 mandados de busca e apreensão, atingindo locais críticos como a SP Regula, uma delegacia, um escritório de contabilidade, além de várias empresas funerárias. Entre os alvos estão um policial civil, um servidor público e proprietários de negócios funerários, sinalizando a gravidade das violações.
A operação envolveu uma colaboração entre a Polícia Civil, a Prefeitura de São Paulo e a Controladoria-Geral do Município, iniciada após solicitações do município. Um policial civil participante da trama foi afastado de suas funções. Durante as buscas, foram apreendidos diversos dispositivos eletrônicos, documentos, armas, dinheiro em espécie e até mesmo veículos, todos serão submetidos à análise pericial.
Compromisso com a Ética e a Transparência
A investigação procura esclarecer minuciosamente como os dados sigilosos eram acessados e transferidos, além de identificar os envolvidos e possíveis falhas nos controles internos. O objetivo é fortalecer a governança, integridade e proteção de informações sensíveis, enquanto combate a corrupção e o crime organizado.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), até o momento não houve mandados de prisão nesta fase da operação. A funerária Velar, uma das empresas mencionadas, se manifestou em nota, expressando que tomou conhecimento da operação pela mídia e se colocando à disposição das autoridades, reafirmando seu compromisso ético com as famílias atendidas.
As autoridades estaduais e municipais asseguram que a investigação será conduzida com rigor, buscando a verdade e responsabilizando qualquer irregularidade detectada na administração pública.


