Economia

PIB da Argentina cresce 2,3% em meio a desafios econômicos

PIB argentino apresenta crescimento em 2026

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este resultado mantém um padrão de expansão econômica, apesar dos desafios internos enfrentados pelo país.

Fatores que impulsionaram o crescimento

O crescimento foi substancialmente impulsionado pelas exportações, embora a população enfrente um deterioração do poder de compra e um mercado de trabalho frágil. O Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) divulgou que a economia cresceu 0,7% no primeiro trimestre em relação ao último trimestre de 2025, já descontados os efeitos sazonais.

Setores em destaque

Os setores que mais contribuíram para o crescimento econômico nos primeiros três meses do ano foram:

  • Agropecuária
  • Pesca
  • Mineração
  • Intermediação financeira

Por outro lado, a indústria de transformação registrou uma queda de 1,7%, e o comércio varejista viu uma redução de 0,3%. Esses dados ilustram um quadro dividido em que setores dinâmicos coexistem com áreas em declínio.

Análise da Economia e Its Desafios

O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou o crescimento nas redes sociais e atribuiu, em parte, ao aumento do consumo privado, que subiu 2,7%. Contudo, o economista Andrés Asiaín alertou que essa elevação no consumo está relacionada às mudanças na estrutura dos preços, especialmente no aumento dos serviços, que gera custos adicionais para a população.

Essencialmente, o consumo privado também abrange a compra de produtos importados e gastos em turismo, que não necessariamente impulsionam o comércio local. Guido Zack, da Fundar, destacou que o indicador pode crescer sem melhorar o padrão de vida da população.

Investimentos e realidade laboral

A Argentina recebeu bilhões em investimentos por meio de isenções fiscais e aduaneiras, especialmente para os setores de mineração e hidrocarbonetos, que são cruciais para o crescimento. Entretanto, existe um descompasso visível: enquanto esses setores prosperam, a indústria e o comércio enfrentam retração.

A inadimplência entre as famílias atingiu níveis recordes, passando de 3,7% em abril de 2025 para 12,1% em abril de 2026, conforme dados do Banco Central. Programas de renegociação de dívidas foram lançados em resposta a essa situação crítica.

Taxa de desemprego e informalidade

A taxa de desemprego chegou a 7,8% no primeiro trimestre de 2026, refletindo um aumento em relação aos 5,7% no início do governo de Javier Milei. A informalidade no mercado de trabalho também se agravou, atingindo 44%. Florencia Fiorentin, economista-chefe da Epyca Consultores, enfatizou que os setores que crescem, como a mineração, não são grandes empregadores, enquanto os setores em retração concentram mais postos de trabalho e atendem o mercado interno.

O futuro econômico da Argentina

Desde o final de 2023, Javier Milei implementou um rigoroso plano de austeridade que acabou com o déficit fiscal crônico e reduziu a inflação, que havia alcançado três dígitos. Em 2025, a economia cresceu 4,4%, e as expectativas para 2026 giram em torno de 3%.

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