Juízes de Brasília resolveram aderir à guerrilha religiosa estimulada por Lula e Flávio Bolsonaro na reta final das eleições.
Lula e Flávio Bolsonaro estão, literalmente, empurrando o Estado laico para um conflito entre católicos e protestantes.
Desde a semana passada, impulsionam um embate bizarro sobre quem deve ocupar o padroado nacional — Nossa Senhora Aparecida, a mãe, ou Cristo, o filho. Serviu de pretexto para o acirramento da crise dentro do Supremo Tribunal Federal.
Há nove meses, um conflito consome o STF, inflamado pelas revelações sobre envolvimento de alguns dos seus juízes e familiares em negócios suspeitos com o Banco Master. O antigo dono do banco, Daniel Vorcaro, está em prisão preventiva há seis meses por fraudes bilionárias no mercado financeiro.
Decisões do STF tomadas no último fim de semana sobre o tumulto eleitoral e religioso protagonizado por Lula e Flávio Bolsonaro foram interpretadas como de alto risco para a autonomia do Tribunal Superior Eleitoral, o guardião das eleições.
As deliberações do Supremo se concentraram numa decisão do juiz André Mendonça, que é pastor evangélico, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, é relator do caso Master e ocupa a vice-presidência do TSE.
Na semana passada, Mendonça proibiu publicações em redes sociais que associavam o candidato Flávio Bolsonaro a um movimento para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Aliados de Lula, aparentemente, ajudaram a difundir nas redes, destacando recente manifestação de Flávio Bolsonaro sobre “entregar o Brasil nas mãos de Jesus”, caso seja eleito.
Mendonça foi rechaçado no STF pelo juiz Flavio Dino na noite de domingo. E apoiado pelo juiz Luiz Fux na segunda-feira.
Na madrugada desta quarta-feira (30/9), o TSE começou a analisar a decisão de Mendonça. Pode ou não referendá-la. A sessão está prevista para terminar às 23h59 da próxima sexta-feira (2/10), menos de 48 horas antes do primeiro turno de votação.
O final desse julgamento na Justiça Eleitoral não liquida o assunto. Ao contrário, tende a ampliar o impasse sobre limites à atuação do STF em assuntos eleitorais.
É nova fase do confronto dentro do Supremo, derivado das descobertas sobre vínculos de alguns juízes com o Banco Master.
Mendonça entrou para a galeria de alvos preferenciais nesse conflito quando pediu para o tribunal resolver se vai investigar o juiz Alexandre de Moraes — não há previsão para decisão. A banca da família Moraes manteve um questionável contrato de 131 milhões de reais em serviços de advocacia ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
O enredo no circuito STF-TSE sobre o padroado nacional é tão bizarro quanto sua origem, a guerrilha religiosa estimulada nas campanhas dos candidatos presidenciais Lula e Flávio Bolsonaro.
É uma confusão institucional de consequências imprevisíveis, condimentada por ameaças veladas ao Estado laico.
No domingo, 158 milhões vão às urnas eleger o futuro Congresso que, em tese, poderá ajudar a encaminhar a solução da crise a partir de reformas judicial e política.
Na véspera, às 5h30m da manhã de sábado, um toque de sinos na basílica a 830 quilômetros de Brasília vai anunciar a abertura da celebração da Padroeira Aparecida. A festa da devoção popular está completando 309 anos.





