A possibilidade de voto útil na reta final não significa que os eleitores de Ronaldo Caiado e Augusto Cury vão migrar em bloco para Flávio Bolsonaro. Essa é a avaliação de Yuri Sanches, diretor de Análise Política da AtlasIntel, que considera a disputa presidencial “basicamente consolidada”. Em entrevista a Ricardo Ferraz no programa Os Três Poderes, ele afirmou ser mais provável que o resultado do primeiro turno se aproxime do cenário mostrado pelas últimas pesquisas (este texto é um resumo do vídeo acima).
Quanto espaço ainda existe para o voto útil?
Sanches reconheceu que pode haver uma pequena transferência de votos de candidatos menos competitivos, em parte na direção de Flávio. Ressaltou, porém, que a permanência de eleitores com Caiado e Cury, mesmo diante da concentração da corrida nos dois líderes, indica limites para esse movimento.
Segundo ele, não é possível pressupor que a maioria ou a totalidade desses grupos vá escolher Flávio. “Seria um pouco mais natural que ele já tivesse feito essa migração”, afirmou sobre o eleitor que ainda mantém sua preferência por outra candidatura.
Por que o eleitorado de Renan Santos merece atenção?
O diretor da AtlasIntel destacou a fidelidade dos apoiadores de Renan Santos. Na sua avaliação, o candidato preservou um núcleo de eleitores que lhe assegurou um piso de aproximadamente 4% a 5% das intenções de voto, mais resistente à migração do que o de outras alternativas na disputa.
“É um eleitor que tem se mantido bastante fiel ao seu candidato”, disse Sanches. Ele avaliou que esse patamar pode se manter no primeiro turno e observou que os apoiadores de Renan são críticos tanto a Lula quanto a Flávio. Também destacou os ataques do candidato a Flávio nos últimos dias.
O que os números da AtlasIntel mostram?
Na pesquisa apresentada por Ferraz, Lula aparece com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 42,2% de Flávio — uma diferença de 3,1 pontos percentuais. Na simulação de segundo turno, Flávio tem 47,7% e Lula, 47,6%, em empate técnico.
Ao apresentar a trajetória dos candidatos, Ferraz observou que a distância no segundo turno vinha se mantendo praticamente inalterada nas últimas quatro pesquisas. Para Sanches, a consolidação da disputa em torno dos dois nomes ajuda a explicar por que uma transferência expressiva de eleitores das demais candidaturas não deve ser tomada como certa.
O diretor da AtlasIntel apontou ainda a possibilidade de maior mobilização entre os apoiadores de Renan após os acontecimentos relacionados ao debate presidencial. Sua expectativa, contudo, permanece centrada na continuidade do quadro recente: algum espaço para voto útil, mas com eleitores que seguem firmes nas alternativas aos dois líderes.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





