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Protestos estudantis levam até 450 mil às ruas na França; quase 500 são detidos

Uma nova leva de protestos estudantis levou centenas de milhares de pessoas às ruas da França nesta terça-feira, 6, resultando em confrontos com a polícia e bloqueios de escolas e universidades em mais de 30 cidades. Entre as exigências dos alunos estão a necessidade de mais professores, horários de almoço mais longos e a revisão da duração do dia letivo, que vai das 8h às 18h, além de melhorias na infraestrutura das escolas e turmas menores.

Segundo o Ministério do Interior francês, 256.000 pessoas participaram dos atos em todo o país nesta terça, sendo 56.000 só em Paris. Os organizadores, por sua vez, estimaram uma mobilização bem maior: 450.000 manifestantes, incluindo 100.000 na capital. De acordo com a União dos Estudantes do Ensino Médio, 1.800 escolas foram bloqueadas ou fechadas durante o dia, de um total de 3.700.

Ao todo, 488 pessoas foram detidas apenas nesta terça, informou o Ministério do Interior. Desde 28 de setembro, quando a mobilização começou a ganhar força, 6.547 pessoas foram presas em atos relacionados ao movimento.

Os protestos, inicialmente concentrados em escolas de ensino médio, também chegaram às universidades. Cerca de 40% das instituições públicas de ensino superior tiveram algum tipo de interrupção, entre bloqueios totais ou parciais, ocupações e fechamentos administrativos, de acordo com o Ministério do Ensino Superior. O sindicato União Estudantil, que lidera a onda de protestos nacionais, chegou a afirmar, mais cedo, que todas as universidades do país estavam mobilizadas.

Diante do aumento da tensão, o presidente Emmanuel Macron convocou uma reunião no Palácio do Eliseu para discutir a situação. Participariam do encontro o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, e o ministro da Educação, Edouard Geffray.

Violência

Em diferentes cidades, as manifestações foram marcadas por episódios de violência. Policiais utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes em Paris, Lyon, Rennes e Estrasburgo nesta terça-feira, enquanto os participantes dos protestos incendiaram objetos e lançaram projéteis contra as forças de segurança.

Lecornu classificou a mobilização como a mais violenta registrada nas escolas francesas em décadas. Segundo seu gabinete, ao menos 715 policiais, 215 adolescentes e 85 funcionários ficaram feridos desde o início dos protestos.

Nesta segunda-feira, um manifestante que 15 anos perdeu a mão em uma explosão de granada policial em Lens, no norte do país. O prefeito da cidade, François-Xavier Lauch, anunciou a abertura de uma investigação sobre o incidente.

A família de um estudante de 16 anos em Tours, no leste do país, também registrou uma queixa por violência policial após o jovem perder a visão do olho direito devido ao impacto de uma bala de borracha. Uma investigação está em andamento.

Os protestos começaram no final de setembro em uma escola de ensino médio nos arredores de Paris, motivados pela escassez de professores. O governo foi pego de surpresa quando o movimento se espalhou por todo o país. Desde a última segunda-feira, os atos ganharam contornos violentos, com confrontos entre manifestantes e a polícia e incêndios em escolas.

Governo tenta acalmar a revolta

Os protestos continuam mesmo após Lecornu tentar acalmar os ânimos ao classificar as queixas dos estudantes como “legítimas”, afirmar que o governo precisa ouvir suas demandas e prometer propostas concretas até o final de outubro.

O premiê francês ordenou que seu gabinete aborde as cinco principais reivindicações dos estudantes, entre elas a substituição de professores ausentes, reconhecendo que alunos de algumas regiões perdem meses de aulas devido à escassez de profissionais — inclusive em anos decisivos para exames. Lecornu também pediu uma revisão da longa jornada escolar na França, que está entre as mais extensas da Europa.

O governo ainda analisará a realização de reparos em prédios escolares deteriorados. Manifestantes relataram infiltrações de água nas salas de aula, presença de baratas, desabamento de tetos e calor insuportável no verão.

“Nossa prioridade é restaurar a ordem”, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon, à emissora de TV CNews nesta segunda.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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