Petrópolis enfrenta uma série de problemas na prestação de serviços públicos essenciais. Entre montanhas de lixo acumuladas em ruas e bairros, dificuldades no transporte coletivo e questionamentos sobre a gestão financeira do município, a insatisfação da população cresce e ganha espaço nas redes sociais e no Legislativo. O cenário também elevou a pressão sobre o prefeito Hingo Hammes (PP), que passou a enfrentar dois pedidos de cassação protocolados na Câmara Municipal.
A revolta dos moradores, antes restrita às reclamações nas comunidades, ganhou maior dimensão e chegou aos gabinetes dos vereadores. As denúncias apontam problemas recorrentes na coleta de lixo, precariedade do transporte público, atrasos em pagamentos e falta de esclarecimentos sobre a utilização dos recursos municipais.
Nas comunidades e nos bairros mais afastados do Centro, moradores relatam irregularidades na coleta de resíduos e pontos onde o serviço simplesmente deixa de ser realizado. O resultado são pilhas de lixo acumuladas nas calçadas, com riscos de proliferação de pragas e possíveis consequências para a saúde pública.
Na Rua 24 de Maio, a situação é apontada pelos moradores como especialmente preocupante. A indignação aumenta diante da informação de que o município mantém um contrato de coleta de resíduos com valor superior a R$ 3 milhões mensais.
A fiscalização dos serviços de limpeza urbana está entre as atribuições da Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública (SSOP), comandada pelo secretário Marcelo Chitão. Mesmo diante dos valores envolvidos no contrato, as reclamações sobre o acúmulo de resíduos continuam chegando de diferentes regiões da cidade.
A insatisfação aparece também nos relatos publicados nas redes sociais. A moradora Nadja Calaza classificou a situação como alarmante: “Isso é muito grave, um problema de saúde pública”.
Adilson Souto também manifestou indignação com a situação dos serviços municipais. “A cidade está abandonada! Seja na área da saúde, educação, limpeza urbana…. Nada funciona e o prefeito se omite”, afirmou.
Outros moradores relatam que os problemas não estão concentrados em uma única região. Um deles resumiu a situação dizendo que o caos “está em toda a cidade. É só piora”. Anderson Silveira também destacou a recorrência das denúncias: “Já tinha feito essa denúncia (de lixo acumulado)”.
SUCATEAMENTO DO TRANSPORTE PÚBLICO E IMOBILIDADE NAS RUAS
As dificuldades no transporte coletivo representam outro motivo de preocupação para quem depende diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e realizar atividades básicas. Veículos quebrados, redução da frota e problemas de manutenção comprometem a prestação do serviço e aumentam as reclamações dos passageiros.
Uma fiscalização realizada pela CPI dos Transportes da Câmara Municipal nesta semana expôs parte das condições de funcionamento da empresa TURP. Durante uma vistoria na garagem da concessionária, parlamentares encontraram ônibus sem rodas e apoiados de maneira precária sobre calços de madeira.
Participaram da fiscalização o presidente da comissão, vereador Léo França (PT), o relator Octávio Sampaio e o presidente da Câmara, Júnior Coruja. As condições observadas durante a visita reforçaram os questionamentos sobre a manutenção dos veículos e a qualidade do serviço oferecido à população.
A crise da mobilidade também envolve a atuação da Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans). Um exemplo citado pelos moradores é a permanência de um automóvel acidentado dentro do leito do rio, na Avenida Barão do Rio Branco. Segundo os relatos, o veículo permanece no local há mais de um mês, sem que tenha sido providenciada sua remoção.
R$ 242 MILHÕES EM CAIXA E QUESTIONAMENTOS SOBRE PAGAMENTOS
Enquanto os problemas nos serviços públicos se acumulam, a situação financeira da Prefeitura passou a ocupar o centro das discussões políticas. Durante audiência pública de prestação de contas do relatório financeiro quadrimestral, a vereadora Júlia Casamasso apontou que o município registrava R$ 242 milhões em caixa ao final de agosto.
O número provocou questionamentos diante das denúncias de atrasos nos pagamentos a aposentados, fornecedores e prestadores de serviços, além de reclamações sobre falta de medicamentos e problemas no fornecimento de merenda escolar.
A parlamentar também levantou dúvidas sobre o repasse de valores descontados diretamente dos contracheques dos servidores municipais, referentes a empréstimos consignados e pensões alimentícias. Segundo os questionamentos apresentados, os recursos descontados não estariam chegando regularmente às instituições financeiras e às famílias beneficiárias.
Durante a audiência, o microfone de Júlia Casamasso foi desligado enquanto ela tentava obter esclarecimentos sobre a destinação dos recursos. O episódio provocou repercussão e novas manifestações de moradores nas redes sociais.
A moradora Marcella Nunes questionou a falta de explicações sobre o saldo financeiro apresentado pela administração. “Gostaria de saber o motivo de não responderem a pergunta da @vereadorajulia sobre os 242 milhões do caixa em agosto. Por qual motivo silenciaram o microfone dela quando ela foi cobrar respostas, já que ela é uma vereadora ELEITA?”, publicou.

PEDIDOS DE CASSAÇÃO AUMENTAM PRESSÃO SOBRE O PREFEITO
Em meio à sequência de denúncias e questionamentos sobre a administração municipal, o prefeito Hingo Hammes enfrenta pressão política na Câmara. O vereador Léo França protocolou dois pedidos de cassação contra o chefe do Executivo e cobra que as denúncias sejam apreciadas pelos parlamentares.
Em manifestação oficial, o vereador afirmou que pretende obter esclarecimentos sobre a situação financeira e administrativa do município.
“Já protocolei dois pedidos de cassação do prefeito Hingo Hammes e aguardo que a Câmara coloque em apreciação, para que o prefeito compareça ao Legislativo, preste esclarecimentos e dê satisfação à população sobre tudo o que está acontecendo em Petrópolis. Petrópolis enfrenta uma sequência de problemas graves, com salários atrasados, falta de merenda nas escolas, fornecedores sem receber, dívidas milionárias na saúde, falta de medicamentos, ruas esburacadas, lixo acumulado e falta de transparência sobre a prevenção para o período de chuvas. Até quando a população vai pagar a conta desse caos sem ter respostas?”, declarou.
O parlamentar também defendeu a tramitação das denúncias e a prestação de esclarecimentos pelo Executivo municipal. Segundo ele, a iniciativa busca permitir que os fatos sejam debatidos no Legislativo e que a população tenha acesso às informações sobre a administração.
A votação mencionada para o dia 10 de novembro, às 16h, deverá ser contextualizada conforme a etapa efetiva do procedimento legislativo. É importante esclarecer se os vereadores decidirão sobre o recebimento das denúncias e a instauração de comissão processante ou sobre outra fase do processo.
Enquanto aguarda os desdobramentos políticos, a população continua cobrando soluções para problemas que afetam diretamente a rotina da cidade. Entre o lixo acumulado, as dificuldades no transporte e as dúvidas sobre a utilização dos recursos públicos, a principal cobrança dos moradores é por respostas e pela normalização dos serviços essenciais.
CRISE FINANCEIRA NA PREFEITURA – R$ 242 MILHÕES EM CAIXA E COBRANÇAS POR PAGAMENTOS EM ATRASO
Relatório financeiro apresentado pela administração municipal aponta saldo milionário ao final de agosto, enquanto vereadores denunciam atrasos em consignados, pensões alimentícias, hospitais, fornecedores e serviços públicos.
A situação financeira da Prefeitura de Petrópolis tornou-se um dos principais focos de questionamento sobre a administração do prefeito Hingo Hammes (PP). Apesar de o relatório financeiro quadrimestral indicar R$ 242,3 milhões registrados em caixa ao final de agosto, vereadores e moradores apontam atrasos em pagamentos e dificuldades na manutenção de serviços essenciais.
Entre as cobranças estão pendências com aposentados, servidores, prestadores de serviços da saúde e fornecedores. A situação levanta dúvidas sobre a disponibilidade efetiva dos recursos municipais e os motivos pelos quais compromissos financeiros continuam sendo questionados.
Um dos pontos mais delicados envolve os empréstimos consignados e as pensões alimentícias descontados diretamente dos contracheques dos servidores públicos. Segundo denúncias apresentadas por parlamentares, os valores retirados da remuneração dos trabalhadores não estariam sendo repassados regularmente às instituições financeiras e às famílias beneficiárias.
A situação provoca preocupação porque os descontos já foram realizados nos salários, mas os destinatários dos recursos relatam dificuldades para receber os valores correspondentes. Em relação a uma única instituição financeira, a pendência de repasses atribuída à Prefeitura ultrapassaria R$ 15 milhões, conforme informações apresentadas nas cobranças parlamentares.
O caso exige esclarecimentos sobre os valores efetivamente descontados, os períodos de inadimplência e os repasses realizados ou pendentes. A situação também levanta questionamentos sobre os procedimentos administrativos adotados para regularizar os compromissos.
HOSPITAIS E SERVIÇOS ESSENCIAIS NA LINHA DE PRESSÃO
As cobranças financeiras também alcançam a rede de saúde. Parlamentares questionaram o cumprimento de acordos judiciais envolvendo unidades hospitalares que prestam atendimento à população, entre elas o Hospital de Olhos Dr. Tannure, o Hospital Santa Teresa e o Hospital Clínico de Corrêas (HCC).
Os questionamentos dizem respeito aos pagamentos assumidos pelo município e à regularidade dos compromissos firmados com essas instituições. A preocupação é que eventuais atrasos comprometam a continuidade dos serviços e a capacidade de atendimento à população.
Na educação e na infraestrutura, também foram relatadas dificuldades relacionadas aos pagamentos de empresas contratadas pela Prefeitura.
Um dos exemplos apresentados pelos vereadores envolve as obras do Liceu Municipal, onde trabalhadores estariam enfrentando atrasos nos recebimentos. Na rede pública de ensino, reclamações sobre o fornecimento de merenda escolar também foram levadas ao debate político.
O conjunto de denúncias aponta para uma situação que exige esclarecimentos sobre a execução orçamentária, a ordem de pagamentos e a destinação dos recursos disponíveis no município.

QUESTIONAMENTOS SEM RESPOSTAS
Durante a audiência pública de prestação de contas, os vereadores ampliaram as cobranças sobre a administração municipal. Além do saldo de R$ 242,3 milhões registrado em caixa, foram solicitadas informações sobre os pagamentos aos hospitais, os repasses de consignados e pensões alimentícias e a situação das empresas contratadas.
Outro assunto levantado foi a paralisação das obras do Liceu Municipal. Segundo relato apresentado pelo vereador Léo França (PT), os responsáveis pelos serviços estariam sem receber os pagamentos devidos.
Os parlamentares também questionaram quais medidas foram adotadas pela Prefeitura para reduzir despesas durante os decretos de calamidade pública. Outro ponto de cobrança foi a destinação dos 2% do orçamento municipal previstos para ações de prevenção de tragédias climáticas.
A discussão ganhou intensidade diante da ausência de esclarecimentos considerados satisfatórios pelos vereadores que apresentaram as perguntas. Léo França contestou a condução da audiência e solicitou a suspensão da sessão, mas o pedido não foi atendido.
A vereadora Júlia Casamasso (Psol) também criticou a condução dos trabalhos. Durante os questionamentos sobre a utilização dos recursos públicos, seu microfone foi desligado, episódio que provocou reação da parlamentar.
Após a audiência, Júlia afirmou que seu direito de manifestação foi restringido enquanto buscava explicações sobre a situação financeira do município. A vereadora argumentou que o regimento interno da Câmara permite a apresentação de perguntas, réplicas e tréplicas durante esse tipo de procedimento.
A parlamentar também criticou a falta de respostas do secretário municipal de Fazenda às questões apresentadas pelos vereadores, especialmente sobre os recursos registrados em caixa e os compromissos financeiros da administração.
Em contrapartida, o presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, Tiago Leite, defendeu a condução dos trabalhos. Em manifestação nas redes sociais, afirmou que seguiu as regras estabelecidas pelo regimento interno da Câmara, que prevê 15 minutos para a participação, além de outros três minutos destinados às considerações finais.


