O atacante David Corrêa da Fonseca, do Vasco da Gama, foi intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro a apresentar seu passaporte nesta sexta-feira (30), na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), na Zona Sul da capital. A determinação partiu da Justiça do Espírito Santo, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de envolvimento com uma organização criminosa.
Conhecido como DVD, o jogador deverá apresentar o documento, caso o possua, e tomar ciência formal das medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre as restrições estão a proibição de deixar o território brasileiro sem autorização judicial, a impossibilidade de manter contato com outros investigados e testemunhas e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça.
O descumprimento injustificado das determinações poderá levar à decretação de prisão preventiva, mediante nova decisão judicial. A defesa confirmou que o atleta compareceria à delegacia.
Investigação apura tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro
O caso faz parte da Operação A Tropa, conduzida pela Polícia Civil do Espírito Santo, que investiga uma organização suspeita de atuar no tráfico interestadual de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. As apurações também buscam esclarecer possíveis conexões do grupo com o Comando Vermelho.
Em 31 de agosto, policiais civis do Espírito Santo, com apoio de agentes do Rio de Janeiro, cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao jogador. Entre os locais estavam sua residência, na Barra da Tijuca, e o Centro de Treinamento Moacyr Barbosa, utilizado pelo Vasco, em Jacarepaguá.
David também prestou depoimento durante a investigação. A Polícia Civil analisou mensagens encontradas em um aparelho celular apreendido em outra apuração e apontou diálogos que levantaram suspeitas sobre uma possível relação do atleta com pessoas investigadas.
Ministério Público denunciou o jogador
O Ministério Público do Espírito Santo denunciou David por suspeita de financiamento ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa. A Justiça recebeu a denúncia, tornando o atacante réu no processo.
A Polícia Civil havia solicitado a prisão preventiva do jogador e o bloqueio de seus bens. O Ministério Público se manifestou contra essas medidas, mas defendeu a aplicação de restrições cautelares, alternativa acolhida pela Justiça.
David nega envolvimento com o tráfico de drogas e armas. O recebimento da denúncia não representa condenação: as acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial.
Até a última atualização das informações, não havia confirmação de que o passaporte tivesse sido efetivamente entregue.


