Cidades

Morte de criança no Rio reacende debate sobre ataques caninos

Cenário alarmante de ataques de cães no Rio de Janeiro

Recentemente, o estado do Rio de Janeiro foi palco de dois casos significativos de ataques de cães a crianças, um deles culminando em tragédia e provocando um intenso debate sobre responsabilidade na posse de animais. Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro indicam que, entre janeiro e julho deste ano, 45 pessoas necessitaram de internação após serem mordidas por cães, a maioria delas crianças com menos de 4 anos.

Em 2025, números similares foram registrados, com 47 internações durante o mesmo período. Essa realidade levanta questões sobre o cuidado e a responsabilidade que os tutores têm em relação aos seus cães, especialmente em relação a raças potencialmente mais perigosas, como os Pitbulls.

Fatores que influenciam a agressividade canina

Diogo Alves, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RJ), argumenta que a noção de que certos cães atacam sem motivo é um mito. A agressividade, segundo ele, decorre de fatores como genética, socialização, ambiente e a educação recebida pelo animal. “Um cão nunca ataca do nada”, afirma Alves, esclarecendo que a maioria das agressões é resultado de estresse acumulado e falta de socialização.

Alves destaca que a agresividade canina é uma característica complexa, influenciada por muitos fatores, tornando imprudente atribuí-la exclusivamente a raças específicas. A criação inadequada, incluindo punições físicas, pode amplificar comportamentos agressivos conforme o animal atinge a maturidade.

Identificando e prevenindo comportamentos agressivos

Para prevenir ataques, o especialista recomenda que os tutores estejam atentos a sinais de desconforto dos cães e ofereçam atividades físicas e desafios mentais. Um Pitbull, por exemplo, é um cão atlético que requer estimulantes físicos e mentais para evitar o acúmulo de estresse.

No Leste Fluminense, 75% das internações por agressão canina ocorreram nos últimos dois anos, com o Hospital Estadual Alberto Torres liderando as cifras com 21 internações em 2025.

Responsabilidade legal em casos de ataque

De acordo com a Constituição Brasileira, tutores são civicamente responsáveis por danos causados por seus animais. A Lei Estadual nº 4.597/2005 impõe regulamentos específicos, como o uso de focinheiras para cães de raças consideradas perigosas. O descumprimento destas normas pode resultar em penalidades severas, incluindo multas e apreensão dos animais.

Casos recentes e suas repercussões

O aumento dos casos de ataques, especialmente envolvendo crianças, gera uma urgência na discussão sobre a posse responsável de animais. Entre os incidentes mais impactantes está o ataque fatal a uma criança de 3 anos em Cosmos, que resultou na prisão do tutor do cão, que responderá por homicídio culposo. A presença constante de crianças pequenas entre as vítimas destaca a necessidade de um espaço seguro e a responsabilidade dos donos em prevenir estes acidentes.

A discussão sobre a segurança em relação a cães não se limita apenas à questão dos ataques. A relação entre os tutores e seus cães, bem como a educação e o treinamento apropriados, são fundamentais para garantir a segurança de todos.

Ricardo Motta

Ricardo Motta é jornalista e responsável editorial do Rio Hoje Notícias. Atua na cobertura de política, cidades, segurança pública, esportes e acontecimentos do estado do Rio de Janeiro. Contato editorial: contato@riohoje.com.br.
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