Operação Unha e Carne é deflagrada pela Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) deu início, na manhã desta quinta-feira, à nona fase da Operação Unha e Carne. Este desdobramento investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no Rio de Janeiro. Entre os alvos da operação, destacam-se o pastor Márcio Poncio e Bernardo Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho.
Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em locais na Barra da Tijuca, um dos bairros nobres do Rio de Janeiro. Essas ordens foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As buscas se concentraram em salas comerciais atreladas ao pastor, alegadamente usadas para as operações administrativas do grupo criminoso.
Novas evidências e mobilização das autoridades
Bernardo Loyola é descrito como gerente e sucessor do bicheiro, apontado como um dos principais operadores dentro da investigação. A PF visa apreender documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis que possam fornecer mais informações sobre as atividades da organização.
A operação é um desdobramento de fases anteriores, especialmente a quinta fase que investigou o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. As novas informações surgiram através da análise de dados coletados em dispositivos eletrônicos apreendidos anteriormente.
Complexa rede criminosa e uso de entidades religiosas
Os investigadores destacam a existência de uma rede patrimonial complexa, que inclui imóveis de alto valor, aeronaves e veículos luxuosos, ostensivamente registrados em nomes de familiares e aliados próximos aos acusados. Também foi identificada a movimentação regular de dinheiro em espécie e transações realizadas em empresas registradas em jurisdições com tributação favorável.
Além disso, a apuração sugere que entidades religiosas e holdings patrimoniais possam estar sendo utilizadas como ferramentas para mascarar a propriedade real dos bens de valor significativo.
Histórico das investigações e prisão domiciliar de Poncio
É importante lembrar que o pastor Márcio Poncio já havia sido preso durante a quinta fase da operação, que focou em um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho, uma das facções criminosas mais temidas do Brasil.
Após ser preso, poncio teve sua prisão convertida em domiciliar, decisão que foi fundamentada em sua condição de saúde, já que ele enfrenta uma doença inflamatória crônica desde 2013. O ministro Alexandre de Moraes destacou que a mudança na prisão não afasta a necessidade de continuidade nas investigações.
As investigações das operações continuam em andamento, com o intuito de rastrear o fluxo financeiro e identificar outros envolvidos na complexa rede de crimes.

