Em pleno outubro de 2026, estamos atravessando um mês extremamente importante para a nossa História, tanto pelo contexto das eleições, das quais completam 30 anos desde o início da utilização das urnas eletrônicas brasileiras, que estrearam em 1996, mas também pela comemoração dos 140 anos dos subúrbios da Leopoldina.
Sabemos que apesar de toda relevância da abertura da Estrada de Ferro do Norte, que inaugurou seu primeiro trecho em 23 de outubro de 1886, a ocupação do território leopoldinense é muito mais antiga.
Bem antes da chegada dos jesuítas, com suas igrejas, fazendas e portos, antecedendo até mesmo o desembarque no Brasil da rainha austríaca que daria nome a região, anteriormente a implementação dos trens e estradas asfaltadas que passariam a cortar esse chão, a ocupação sambaquieira no entorno da Baía de Guanabara já se fazia presente.
O Professor Marcelo Motta, da PUC Rio, nos explica que grande parte da cidade se desenvolveu em cima de áreas antes ocupado pelos sambaquieiros. Sambaquis são grandes montes, formados principalmente por conchas de moluscos e ossos de animais, construídos por povos pré-históricos. A palavra vem do tupi “tamba’ki”, que significa amontoado de conchas.
Esses importantes sítios arqueológicos que podem ter mais de 4 mil anos, registraram a presença humana na cidade antes da chegada dos tupis à Baía de Guanabara. Durante o processo de urbanização, a maior parte desses vestígios foram destruídos, e algumas pequenas porções estão cobertas por aterros, calçamentos de ruas ou sob novas construções.
Entre estas edificações podemos citar o prédio da estação Barão de Mauá, inaugurada em 6 de novembro de 1926, que nasceu para centralizar a operação da antiga Estrada de Ferro Leopoldina, mas que atualmente está suplicando por sua recuperação após anos de completo abandono.
Também podemos apontar muitas outras construções relevantes dos nossos subúrbios leopoldinenses. Algumas infelizmente já não existem mais, tais como: os estratégicos portos de Irajá, Inhaúma e Maria Angu, ou mesmo o antigo aeroporto de Manguinhos. Porém, ainda contamos com a preservação de prédios imponentes como: a Igreja da Penha, edificada originalmente pelo capitão Baltazar de Abreu Cardoso, em 1635, o Museu Nacional, construído em 1803 pelo traficante de escravos Elias Antônio Lopes, o Castelo Mourisco da Fiocruz, que teve suas obras iniciadas em 1905 por iniciativa de Oswaldo Cruz, e até mesmo a Cidade Universitária da Ilha do Fundão, com suas obras iniciadas na década de 1950.
Vale destacar que a rainha Maria Leopoldina da Áustria, esposa do imperador Pedro I e primeira imperatriz do Brasil, viveu neste local até sua morte, em 11 de dezembro de 1826. do mesmo modo que a famosa Tia Ciata, desde que chegou ao Rio de Janeiro no ano de 1876, era frequentadora da Festa da penha.
Outros símbolos marcantes da Leopoldina também tem seus motivos para comemorar, como no caso da história do Samba. Esta ano completam 110 anos da apresentação, na festa da Penha, e posterior registro da música “Pelo Telefone” que é historicamente considerado o primeiro samba gravado no Brasil, com registro oficial na Biblioteca nacional feito em 27 de novembro de 1916, por Donga em parceria com Mauro de Almeida.
O Grêmio Recreativo Escola de Samba recreio de Ramos, fundado em 1931, ostenta seus 95 anos de criação e certamente deixo heranças diretamente ligadas ao GRES Imperatriz Leopoldinense e ao bloco Cacique de Ramos. Felizmente não me deixaram esquecer que em 2026 um famoso partido alto que exalta a santa padroeira dos subúrbios da Leopoldina completa 40 anos de gravação. “A Padroeira”, de autoria de Ricardo Rachado e Vaguinho, escolhido por Beth Carvalho para seu algum de 1986.
Sem deixar de mencionar a importância para o esporte e o lazer de instituições locais como o Olaria Atlético Clube, fundado em julho de 1915, o Iate Clube de Ramos, que já existe desde a década de 1940 e até mesmo o Piscinão de Ramos, que em dezembro desse ano completa 25 anos de criação.
Para valorizar a potência desse território em meio a tantas comemorações foi criada a Semana da leopoldina. Miguel Gustavo, presidente da Academia Leopoldinense de Letras e Artes nos fala:
“A Semana da Leopoldina começou com a ideia de contrabalançar a narrativa de parte da mídia, porque a gente só via nos jornais e na televisão que o subúrbio era como se fosse um local de bandidos. Percebemos que isso fazia parte de uma estratégia de segregação urbana. Algo que era usado como justificativa para não fazer obras aqui, porque não merecíamos.
Tiraram nossas praias, com aterros criminosos ou mesmo pela poluição, só nos cabia trabalhar o tempo todo para a gente da classe dominante. Foi assim que resolvemos começamos a mostrar, através da Semana da Leopoldina, que aqui tem muitos valores, que tem muita cultura, que tem muita coisa boa também.”


